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Maior página do ‘Black Lives Matter’ no FB era falsa

João Guilherme
João Guilherme
Estudante e interessado em política, história e religião.

A página, intitulada “Black Lives Matter”, tinha quase 700 mil curtidas no Facebook, mais que o dobro da página oficial do movimento. De acordo com a apuração feita pela CNN sobre a página e contas associadas, ela estaria ligada a um homem australiano.


A página estava envolvida com campanhas de arrecadação online que conseguiram levantar mais de 100 mil dólares, que supostamente foram enviados para operações do grupo Black Lives Matter nos Estados Unidos. Uma parte do dinheiro, no entanto, foi transferida para contas na Austrália, de acordo com a CNN.

As campanhas associadas à página foram suspensas pelo PayPal e pelo Patreon após a CNN entrar em contato com as empresas em busca de respostas. Donorbox e Classy já haviam encerrado as campanhas.

A descoberta traz à tona novas perguntas quanto a integridade do Facebook e do conteúdo hospedado na plataforma. Diante da correria que o depoimento de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, ao Congresso americano está causando, a rede social anunciou planos para verificar a veracidade das pessoas que comandam grandes páginas. Mas não ficou claro se as mudanças afetariam esta página em específico, e o Facebook não disse quais informações sobre os donos de páginas seriam compartilhadas com o público — e, quando a CNN apresentou o que havia descoberto, o Facebook disse que a página não violava os padrões da comunidade.

Após uma semana de emails e ligações entre a CNN e o Facebook sobre a história a plataforma suspendeu a página, e só o fez pois havia suspendido uma conta que administrava a página.

As descobertas também abrem espaço para questionamentos em relação ao comprometimento que o Facebook firmou sobre mudar certas políticas da plataforma, mesmo em meio ao depoimento de Mark Zuckerberg. Não é a primeira vez que o Facebook age contra uma grande ameaça na plataforma não por contra própria, mas porque jornalistas pressionaram.

O fato é que o Facebook sabia das preocupações envolvendo a página. Patrisse Cullors, um dos membros fundadores do Black Lives Matter, disse à CNN que o movimento já havia contatado o Facebook há alguns meses por suspeitas relacionadas à página, pedindo inclusive a exclusão dela.

A página foi — além da suspensão que sofreu do Facebook — apagada por um administrador pouco depois de um dos prováveis associados ser contatado pela CNN. Os administradores também comandavam um grupo muito popular no Facebook, intitulado “Black Lives Matter”. Com quase 40 mil membros, era o maior grupo de apoio ao movimento na rede social.

A página tinha fortes ligações com Ian Mackay, um membro da União Nacional dos Trabalhadores da Austrália. O sindicato representa milhares de trabalhadores de vários setores. Um porta-voz da união disse, na ultima terça, que suspendeu Ian e outro membro enquanto as investigações estão em curso.

A união “não tem envolvimento nem autorizou qualquer atividade citada na matéria da CNN”, disse Tim Kennedy, secretário do sindicato.

Mackay já criou vários sites, muitos deles em defesa do movimento negro. Em abril de 2015, ele criou o blackpowerfist.com. O nome, endereço de email e telefone celular de Mackay apareciam no registro de criação do site até julho de 2015, quando a página ativou um mecanismo que permitia os criadores esconderem suas identidades e informações de contato.

A página no Facebook quase sempre fazia menções a websites associados ao blackpowerfist.com, que virou um fórum de debates no estilo do Reddit. Um dos sites, o blacklivesmatter.media, tinha Mackay listado como administrador.

Poucos dias após Mackay criar o blackpowerfist.com, um perfil anônimo no Facebook, usando o nome “BP Parker”, compartilhou um link para o site. O mesmo perfil era um dos administradores da página “Black Lives Matter” até ela ser suspensa, de acordo com um porta-voz do Facebook em entrevista à CNN.

Outro perfil, com o nome “Steve Parks”, compartilhou um link para um site criado por Mackay — também poucos dias após ter sido registrado.

Até o mês passado, tanto BP Parker como Steve Parks eram listados como administradores do grupo Black Lives Matter no Facebook, que era ligado à página.

 

Com informações de: [CNN]

 

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