Mandela foi monitorado pelos EUA mesmo após deixar a prisão

Documentos da inteligência americana sobre Nelson Mandela foram tornados públicas nesta quarta-feira (18), revelando que Washington continuou a monitorá-lo como uma potencial ameaça comunista mesmo após ter saído da prisão.

O grupo Property of the People divulgou os papéis para marcar o 100.º aniversário de Mandela. Afirmou ter obtido os documentos após anos de litígio.

O presidente do grupo, Ryan Shapiro, declarou em comunicado:

Os documentos revelam que, assim como fez nos anos 50 e 60 com Martin Luther King Jr e o movimento dos direitos civis, o FBI investigou agressivamente os movimentos anti-apartheid americanos e da África do Sul como planos comunistas que ameaçavam a segurança dos EUA.

Pior ainda, os documentos demonstram que o FBI continuou sua investigação errônea de Mandela e do movimento anti-apartheid como ameaça comunista mesmo depois das imposições dos EUA de sanções comerciais contra o apartheid na África do Sul, depois da celebrada soltura de Mandela da prisão e depois da queda do Muro de Berlim.

Mandela foi fundador do movimento uMkhonto we Sizwe, o braço armado do partido radical African National Congress (ANC). Foi preso não por seus pensamentos humanitários contra um regime racista, e sim por planejar um atentado terrorista, como informou o escritor Flávio Morgenstern em um artigo recente no Senso Incomum.

Nelson Mandela passou décadas no cárcere cumprindo prisão perpétua, mas foi solto. O presidente sul-africano na época, J. W. Botha, ofereceu-lhe a soltura em 1985, desde que prometesse não mais se envolver no terrorismo e na luta armada contra os brancos.

O Prêmio Nobel da Paz recusou.

Dessa forma, a informação de que as agências de inteligência dos Estados Unidos mantiveram o monitoramento do esquerdista após a sua soltura da prisão não é nada surpreendente.

 

Com informações do Estadão
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia