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Mandetta tece duras críticas ao uso da cloroquina

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Embaixador da China conversa com Henrique Mandetta
Imagem: Reprodução/DW
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“Ninguém colocou no papel, ninguém demonstrou”, diz Mandetta sobre uso da cloroquina no combate ao coronavírus.

O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou que resultados iniciais de estudos sobre a aplicação da cloroquina no combate ao coronavírus indicam riscos no uso do medicamento.

Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (18), Mandetta disse que a ampliação do uso de cloroquina para pacientes com quadro leve da Covid-19 pode provocar mortes em casa por arritmia:

“Começaram a testar pelos graves que estão nos hospitais. Do que sei dos estudos que me informaram e não concluíram, 33% dos pacientes em hospital, monitorados com eletrocardiograma contínuo, tiveram que suspender o uso da cloroquina porque deu arritmia que poderia levar a parada [cardíaca].”

E acrescentou:

“Alguns médicos falaram que ‘não, a cloroquina tem que usar no primeiro dia para evitar complicação’. E aí você começa a ter um problema. Se todos os velhinhos tiverem arritmia, vão lotar o CTI, porque tem muito mais casos de arritmia que complicação de Covid. E vou ter que arrumar CTI para isso, e pode ser que morra muita gente em casa com arritmia.”

Mandetta aproveitou o espaço na Folha para ironizar a utilização da cloroquina:

“Sabemos que, se não fizer absolutamente nada, se você tem 25 anos, é saudável e tiver a Covid, teria 99% de probabilidade de ter uma forma leve e sair bem. Se eu te tratar com a fita do Senhor do Bonfim e cloroquina, teria 99% de chance. Com camisa do Botafogo e cerveja preta, também. Se tiver com 68 anos, aí teria mais chance de complicar.”

O ex-ministro também voltou a criticar a pressão do presidente da República, Jair Bolsonaro, em torno da cloroquina:

“O que o presidente quer é que o ministério faça como se fosse uma prescrição, para que em todas as unidades de saúde, mesmo sem confirmação da Covid, seja entregue a cloroquina. Tudo baseado nessa coisa de que um médico falou: ‘acho que é bom’. Mas ninguém colocou no papel, ninguém demonstrou. A Nise Yamaguchi é uma que, quando você pergunta ‘onde está escrito isso?’, fala: ‘é a minha impressão’.”

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