O Brasil Paralelo e a verdade dos fatos sobre 1964


O projeto Brasil Paralelo é uma iniciativa formidável para o resgate da história e da alta cultura brasileiras. Num mar de burrice e mediocridade, parece até que veio de outro mundo, longe do mar de bobagens que é o meio intelectual brasileiro. Como tal, sofreu críticas, ataques e difamações torpes – como qualquer um que se proponha a dizer a verdade sem medo nesse país.

Falando em verdade, o novo capítulo da série ‘’Brasil – a última cruzada’’ trata de um tema que desperta paixões, ódios, lembranças afetivas e (bastante) mentiras: a contrarrevolução de 1964. Pelo o que já vi da mesma série, não esperem menos das opiniões dos melhores – e raros – pensadores e homens intelectuais participantes da série.

Algumas considerações são de suma importância para que se entenda um evento fundamental para a nossa história. A verborragia revolucionária que a esquerda tanto repete de que 1964 foi um golpe orquestrado pelas Forças Armadas com apoio do governo americano não tem o mínimo rastro de verdade. Acontecimentos, livros e documentos provam justamente o contrário.

O Brasil em 1964 era um país turbulento. Crise econômica, marasmo administrativo, um presidente que assistia de braços cruzados uma situação complicada, movimentos grevistas e uma ameaça de golpe comunista sempre viva. O clima de insatisfação era nítido, e o presidente João Goulart não tinha condições políticas nem apoio popular para continuar na presidência da República.

Tanto que dois editoriais do jornal Correio da Manhã foram precisos para demonstrar a situação: ‘’Basta!’’, ‘’Fora!’’. Os jornalistas Carlos Heitor Cony e Otto Maria Carpeaux disseram nos editoriais: ‘’ Basta! Até que ponto, o Presidente da República abusará da paciência da Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos, leis, a função do poder legislativo? […] Não é possível continuar neste caos, em todos os sentidos e em todos os setores, tanto no lado administrativo, como no lado econômico financeiro’’.

Fato é que ninguém mais suportava João Goulart. Além disso, outros setores aproveitaram da impopularidade e incompetência de Jango para tomar o poder a força. O Partido Comunista Brasileira era um dos setores. A organização para o golpe revolucionário na forma de guerrilhas aconteceu muito antes da tomada do governo pelos militares, ao contrário do que é propagado pelo establishment intelectual esquerdista.

O livro de Denise Rollemberg, ‘’O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro’’, constata com detalhes e fatos a existência de grupos armados de esquerda que queriam o poder pela força. Em 1962, o Serviço de Repressão ao Contrabando descobriu um plano de formação de um campo de treinamento de ligas camponesas. O material apreendido ia de bandeiras de Cuba a manuais de instrução de combate. Os documentos foram parar nas mãos de Jango. O que fez o presidente brasileiro ao tomar conhecimento de uma interferência armada estrangeira? Absolutamente nada. Devolveu os documentos ao governo cubano.

A participação da temida KGB no processo, o temido serviço secreto soviético, também é digna de ponderações. A subida de Kruschev ao Kremlin culminou com a aprovação da política de longe alcance no padrão declínio-evolução: fingir debilidade e desunião entre o bloco comunista para logo em seguida atuar no mundo não comunista e jogar a Europa e o Terceiro Mundo contra os Estados Unidos. As forças de libertação nacional e a tomada do poder pela força era o modus operandi recomendado para o Terceiro Mundo.

E o Brasil, país da última categoria mencionado e maior nação da América Latina, não passou despercebido pelo bloco comunista. A StB, equivalente da KGB na Tchecoslováquia, foi a encarregada de infiltrar agentes comunistas no Brasil. As bases para os serviços secretos foram estabelecidas em Moscou no Congresso dos Oitenta e Um partidos. Com a função de alimentar o antiamericanismo no Brasil e recrutar agentes e pessoas para a luta armada, a StB deveria estar presente nos debate sobre o tema.

Deveria. A confissão de Ladislav Bittman, ex-agente da StB, de que a participação da CIA nos eventos de 1964 não passou de mera operação de desinformação da KGB através de documentos falsos é tratada com um silêncio constrangedor. A narrativa de esquerda sobre 1964, tão atraente e servidora de interesses a políticos, intelectuais, jornalistas e gente importante da Nova República nunca é contestada pelo establishment.

O Brasil Paralelo, que trouxe a verdade à tona em suas séries e produções – recebendo por isso calúnias de quem se incomoda com os fatos -, presta mais um grandioso serviço à nação e a memória da mesma. Refutar as mentiras sórdidas que servem como mitos fundadores para ideologias falsas, destruidoras e cruéis é um dever de todos.

Referências: [1] [2] [3] [4] [5]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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