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O encontro do PT com a chefe da missão da OEA

O encontro do PT com a chefe da missão da OEA

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, encontrou-se com a chefe da missão da OEA nesta quinta-feira (25), em São Paulo.

Fernando Haddad se encontrou na quinta-feira (25) com a ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que está no país para acompanhar o processo eleitoral brasileiro.

Segundo informações do G1, o encontro, realizado em um hotel na Zona Sul da capital paulista, foi rápido e durou pouco mais de 40 minutos.

Em entrevista à imprensa, a chefe da missão da OEA disse, conforme noticiou a AFP, que “a difusão de ‘fake news’ pelo WhatsApp na campanha presidencial brasileira teve um “alcance nunca antes visto” e tem sido uma ‘preocupação constante'”.

Um discurso bem semelhante ao utilizado pela campanha do PT a partir da reta final do primeiro turno das eleições. Coincidência? Provavelmente, não.

 

Linha do Tempo

No dia 1 de outubro, seis dias antes do primeiro turno, a comunista Manuela D’Ávila encontrou-se com Laura Chichilla.

Segundo informações do seu perfil no Twitter, a vice da chapa presidencial do PT afirmou que elas conversaram “sobre decisões que ameaçam a liberdade de imprensa e notícias falsas (fake news).”

Dois dias depois, em 3 de outubro, Fernando Haddad afirmou que “a disseminação de fake news contra ele explica o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas”, conforme noticiou a Renova Mídia.

No momento, o candidato do PT tentava achar explicações para o reajuste que os institutos de pesquisas precisaram fazer para demonstrar a a força do candidato do PSL nos levantamentos sobre a corrida presidencial.

Durante uma entrevista coletiva em São Paulo, a poucos dias do primeiro turno das eleições, Haddad declarou:

Nós não acreditamos que essas mensagens no WhatsApp estão fazendo alguma pequena diferença. Nós estamos falando de milhões de mensagens que estão sendo disparadas de mulheres nuas, crianças sendo abusadas, coisas gritantes mesmo.

Ao longo do segundo turno, a estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) foi intensificar o discurso de que a ampla vantagem do seu adversário Jair Bolsonaro era fruto de uma campanha de manipulação através da propagação de ‘fake news’ nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Como um bom político do PT, enquanto acusava Bolsonaro de propagar notícias falsas, Haddad avançava com uma das campanhas mais sujas de desinformação e difamação já vista na política brasileira.

No dia 18 de outubro, o jornal Folha de S. Paulo “entrou em campo” – mais uma vez – e transportou as acusações do PT para o papel em uma reportagem intitulada “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”.

No texto, o jornal acusa – sem provas – apoiadores de Bolsonaro de contratarem empresas para praticar propaganda eleitoral irregular através do aplicativo de mensagens mais utilizado no Brasil.

Horas após a publicação da matéria da Folha, o PT entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma ação pedindo a cassação da candidatura de Jair Bolsonaro e exigindo que o deputado federal passe os próximos 8 anos sem direitos políticos.

Voltamos para ontem, quinta-feira (25), três dias antes do segundo turno da eleição presidencial.

Ainda durante sua visita ao Brasil, a chefe da missão da OEA falou sobre o fenômeno das “fake news”:

O fenômeno das notícias falsas está pegando de surpresa quase todas as democracias do mundo, e o que estamos vendo é que as autoridades muitas vezes estão sendo superadas. É um fenômeno muito recente, além da magnitude que, talvez, não tivesse sido considerada.

Ela acrescentou:

O novo que acontece no Brasil, para o que não estavam preparados, é que (a difusão maciça de ‘fake news’) se move das redes públicas para as privadas, como o WhatsApp.

Laura Chinchilla também disse que este fenômeno “sem precedentes” usado para mobilizar o voto popular “foi utilizado com um alcance nunca antes visto”.

 

Futuro

O objetivo da produção deste breve resumo foi explicar como a narrativa propagada pelo PT sobre a interferência do WhatsApp a favor do seu adversário está sendo construída aos poucos.

Fica evidente que esta abordagem do partido é uma estratégia previamente planejada e não fruto de um “desespero” com a situação nas pesquisas.

Como noticiado pela Renova Mídia, nesta sexta-feira (26), o PT está conformado com uma eventual derrota na eleição presidencial. O partido busca diminuir a diferença entre os candidatos ao máximo para conseguir entrar na oposição ao eventual governo Bolsonaro fortalecido.

Uma margem pequena de diferença para Jair Bolsonaro será uma boa arma para a militância petista manter viva a narrativa de que o WhatsApp foi o responsável por manipular milhões de brasileiros e dar a vitória ao capitão reformado do Exército.

Esta narrativa poderia ganhar respaldo internacional com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA)?

No que depender do sorriso da chefe da missão do órgão ao encontrar os membros da chapa presidencial do PT, podemos prever que sim.

“Nos reunimos com os candidatos do PT, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, para recolher suas impressões e tomar nota das suas denúncias e preocupações neste segundo turno eleitoral”, declarou Laura Chinchilla em seu perfil oficial no Twitter.

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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