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O que o FBI e a CIA estão escondendo?

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A narrativa sobre a influência da Rússia na vitória de Donald Trump é o assunto preferido da grande mídia desde a posse do presidente dos Estados Unidos.

Por que as agências de inteligências se recusam a fornecer documentos sobre a origem da investigação?

Será que a CIA levou o FBI em um “rabbit hole” na investigação de contra-inteligência sobre a campanha presidencial de Donald Trump em 2016?

Embora o caso do FBI tenha se iniciado oficialmente em 31 de julho de 2016, houve atividade investigativa antes daquela data. A CIA de John Brennan (o então diretor da Agência) pode ter realizado atividades na Inglaterra, o que seria um problema devido a acordos de longa data de que os EUA não realizariam operações de inteligência dentro de território britânico. Isso explicaria porque o FBI continua se recusando a fornecer para o congresso documentos que provem a origem das investigações.

Ainda, o que sabemos sobre o caso não constitui as evidências necessárias, de acordo com as diretrizes do procurador-geral para a abertura de um caso de contra-inteligência. Essas diretrizes requerem que se tenha “informações com fundamento” ou “fatos articuláveis”.

Pelo que veio a público, tudo que poderia ser considerado “informação com fundamento” é proveniente da Inglaterra. Stefan Halper, um americano que dirigiu o Centro de Estudos Internacionais em Cambridge, tinha sido uma fonte da CIA no passado. Notícias recentes na mídia o descrevem como um informante do FBI. Joseph Mifsud, outro acadêmico baseado na Inglaterra com ligações com agências ocidentais de Inteligência, se encontrou com George Papadopoulos, assessor da campanha de Trump, em 26 de abril de 2016. O Sr. Mifsud alegadamente mencionou “podres” sobre Hillary Clinton. Então, no dia 10 de maio, o Sr. Papadopoulos se encontrou em Londres com Alexander Downer, Embaixador Australiano, para quem ele repassou a alegação dos “podres” sobre a Sra. Clinton.

Peter Strzok, então diretor assistente adjunto do FBI, foi para Londres no dia 2 de agosto de 2016, dois dias após a abertura do caso, aparentemente para entrevistar o Sr. Downer sobre sua conversa com o Sr. Papadopoulos. Mas e sobre as atividades investigativas anteriores? O FBI geralmente não manteria um informante na Inglaterra. É muito mais provável que na primavera (no hemisfério norte, março a junho) de 2016, o Sr. Halper estava fornecendo informação para a Inteligência Britânica ou diretamente para a CIA, onde o Sr. Brennan já estava criando a narrativa de conluio.

James Clapper, um ex-diretor de inteligência nacional, confirmou que “agências de inteligência” estavam analisando as alegações de conluio já na primavera de 2016. The Guardian, um jornal britânico, relatou que a Inteligência Britânica estava suspeitando de contatos entre pessoas ligadas à campanha do Sr. Trump e possíveis agentes Russos. Isso fez com que Robert Hannigan, o então chefe da Central de Comunicações do Governo Britânico, passasse a informação para o Sr. Brennan. Com apenas essas suspeitas, o Sr. Brennan colocou pressão para que o FBI iniciasse sua sondagem de contra-inteligência.

O FBI não tinha nenhum embasamento. Porém, em um mundo pós-11/9, uma indicação da CIA poderia fazer alguns dentro do FBI acreditarem que deveriam agir, principalmente pois a informação da Agência veio do aliado mais próximo da América. Pouco após o caso ser aberto naquele verão (no hemisfério norte, de junho a setembro), o Sr. Brennan deu um briefing para Harry Reid, o então Líder da Minoria no Senado, informando que a CIA tinha repassado o assunto para o FBI, uma tentativa óbvia de colocar pressão no FBI para que “andasse” com o caso de conluio.

Conforme as investigações do FBI progrediram, seria usado um mandado de vigilância (ou espionagem) contra Carter Page, um ex-membro da campanha do Sr. Trump, que tinha estado em contato com o Sr. Halper.

Um dossiê preparado para a campanha de Clinton por Christopher Steele, ex-agente da agência Britânica MI6, foi usado como justificativa para obtenção do mandado.

A existência da investigação não foi informada para o “grupo de oito” do Congresso por causa de sua natureza “delicada”, conforme disse James Comey, ex-diretor do FBI. O FBI continua a não revelar a integralidade dos detalhes do caso para o Congresso. A justificativa é “proteção das fontes”, pois a origem está no nosso (dos EUA) melhor parceiro internacional.

Apesar do Sr. Brennan ter se exposto como completamente enviesado (anti-Trump), a CIA tem escapado de críticas por ter usado informações frágeis e de fontes bastante vulneráveis da inteligência Britânica para colocar o FBI em uma fria. Mais prejudicial é a possibilidade de a CIA ter violado acordos bi-laterais com a Inglaterra em espionar dentro do território Britânico ao invés de solicitar que o MI5 ou o MI6 o tenham feito. E isso é provavelmente parte do que não está sendo revelado para o Congresso.

 

Artigo escrito por Thomas J. Baker, 31 de julho 2018. O Sr. Baker é um agente especial do FBI aposentado e adido legal.

 

Matéria publicada no WSJ e traduzida por O Carcará

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