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O trajeto do dinheiro da Odebrecht para a campanha de Alckmin

Geraldo Alckmin
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

O Ministério Público de São Paulo descreveu o caminho do dinheiro do departamento de propinas da empreiteira Odebrecht para a campanha de 2014 de Geraldo Alckmin ao governo do estado de São Paulo.


O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, está sendo alvo de uma ação de improbidade administrativa por supostamente ter recebido R$ 10 milhões via caixa 2 da Odebrecht para campanhas eleitorais.

Intermediário dos pagamentos do departamento de propinas da Odebrecht à campanha de Alckmin ao governo de São Paulo em 2014, Arnaldo Cumplido recebia da secretária Maria Lúcia Tavares a indicação dos valores liberados e uma senha relativa à referida entrega do numerário em questão, de acordo com o documento oficial da ação de improbidade administrativa do Ministério Público paulista contra o ex-governador, obtido por O Antagonista.

Arnaldo repassava os dados ao diretor Luiz Antônio Bueno, “a quem cabia entrar em contato com o beneficiário do pagamento ilícito, no caso Marcos Monteiro”, o “M&M”, “em benefício” de Alckmin, indicando o local para a retirada do mesmo.

Para realizar a entrega desses valores, o departamento de propinas – gerenciado por Hilberto Mascarenhas – “se valia dos serviços do doleiro” Álvaro Novis, conhecido pelas alcunhas de “Carioquinha”, caso as entregas fossem realizadas no Rio, ou “Paulistinha”, caso fossem em São Paulo.

Recebida a programação, Álvaro Novis, vulgo “Paulistinha”, acionava seu funcionário, Rogério Martins, ou também as transportadoras de valores Transnacional e Transmar (ou Trans-Expert), “para que, por meio de hospedagens em hotéis, fossem feitas as entregas das vantagens indevidas”, “depois das aprovações” de Benedicto Júnior e Luiz Antônio Bueno e a viabilização de recursos pelo então executivo Fernando Migliaccio.

Depois de descrever o caminho do dinheiro do departamento de propinas da Odebrecht para a campanha de 2014 de Geraldo Alckmin ao governo do estado de São Paulo, o Ministério Público paulista afirma:

Desta forma, foram disponibilizadas as seguintes quantias, com respectivas senhas, à disposição do codinome ‘M&M’, que, como já dito, identificava o requerido Marcos Antônio Monteiro, funcionário público, em benefício” de Alckmin:

a) 30 de abril de 2014 – R$ 1 milhão – senha ‘Cedro’ – “valor este efetivamente pago, por meio de entrega feita pela transportadora Transmar ao funcionário Rogério Martins, na mesma data, a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

b) 5 de agosto de 2014 – R$ 1,5 milhão – senha ‘Tesoura’ – “valor este pago em 07 de agosto de 2014, por meio de entrega feita pela transportadora Transmar ao funcionário Rogério Martins, na mesma data, a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

c) 13 de agosto de 2014 – R$ 500 mil – senha ‘Marceneiro’ – “quantia efetivamente paga pelo funcionário Rogério Martins em 15 de agosto de 2014 com o uso de recursos que lhe foram entregues pela Transportadora Transmar a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

d) 21 de agosto de 2018 – R$ 1 milhão – senha ‘Pudim’ – “cujo pagamento deve ter sido feito de acordo com a sistemática acima a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

e) 26 de agosto de 2014 – R$ 500 mil – senha ‘Bolero’ – “cujo pagamento foi efetivamente realizado em 29 de agosto de 2014 a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin, “com recursos que lhe foram disponibilizados pela transportadora Transmar, na mesma data”;

f) 09 de setembro de 2014 – R$ 1 milhão – senha ‘Sardinha’ – “cujo pagamento ocorreu em 11 de setembro de 2014, por meio de recursos recebidos por Rogério Martins da transportadora Transmar a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

g) 18 de setembro de 2014 – R$ 1 milhão – senha ‘Cimento’ – “cujo pagamento ocorreu em 17 de setembro de 2014 por meio de Rogério Martins a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

h) 25 de setembro de 2014 – R$ 1 milhão – senha “Chocolate” – “cujo pagamento deve ter sido feito de acordo com a sistemática acima a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin;

i) 29 de outubro de 2014 – R$ 300 mil – senha “Martelo” – “cujo pagamento foi realizado por Rogério Martins em 31 de outubro de 2014 a portador indicado” por M&M, “em benefício” de Alckmin.

Com exceção dos pagamentos previstos nos itens ‘d’ e ‘h’, todos os pagamentos feitos pela Odebrecht “de forma ilícita” a portador indicado por M&M, em benefício de Alckmin, “foram registrados em planilhas quer do funcionário Rogério Martins, da testemunha Álvaro José Galliez Novis, quer da Transportadora de Valores Transmar, documentos esses que foram entregues a este 9º Promotor de Justiça de Patrimônio Público e Social da Capital e juntados aos autos do inquérito civil que ora instruem a presente petição inicial”.

Adaptado da fonte O Antagonista

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