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Ocasio-Cortez: a Manuela d’Ávila dos Estados Unidos

Artigo escrito pelo colaborador Carlos Júnior.


Em tempos de flagrante rebaixamento da cultura, dos valores morais e da intelectualidade – os motivos são inúmeros – em diversos países, não dá para esperar muita coisa dos representantes eleitos pelo povo.

Já dizia o escritor e dramaturgo Hugo von Hofmannsthal: ‘

Nada está na política de um país que não esteja primeiro em sua literatura’.

O diagnóstico do sábio austríaco é preciso para entendermos como o nível dos políticos caiu drasticamente nas últimas décadas. A cultura se transformou em mero meio de ação para que a tão sonhada revolução aconteça – sabe-se lá o que vem depois.

Nos Estados Unidos, a vaca foi para o brejo faz algum tempo. Inúmeros são os exemplos disso, desde pessoas a acontecimentos.

Entretanto, quero ater-me a apenas uma: Alexandria Ocasio-Cortez. Sua trajetória política é simbólica e merece destaque.

Latino-americana vinda de um bairro pobre, ela derrotou um peso-pesado do establishment democrata numa primária para as eleições congressuais americanas, Joseph Crowley.

Desde então a socialista autointitulada vem nos brindando com gafes, declarações sem sentindo algum e o velho antiamericanismo de seu partido que a faz símbolo da derrocada cultural da política americana – fazendo lembrar muito bem uma tal de Manuela d’Ávila.

Desde os anos 1960 com a ascensão da new left, qualquer um pode embarcar na carreira política americana sem possuir preparo intelectual e político para tal. Basta que esteja ‘’do lado certo da história’’, das minorias oprimidas em busca de um mundo melhor que só existe na cabeça de tais criaturas.

Ocasio-Cortez conseguiu afirmar que as três esferas de poder são a Presidência, o Congresso e o Senado. Deveria ser do conhecimento dela – ainda mais uma deputada eleita de um importante estado americano – que as três esferas de poder são formadas por executivo, legislativo e judiciário. Se ela não tem a mínima noção do lugar que irá ocupar, certamente sua atuação parlamentar irá gerar uma boa dor de cabeça ao “american people“.

Ocasio-Cortez falou no twitter em ‘’US$ 21 trilhões de transações financeiras do Pentágono’’. Falou isso tendo como base um estudo desprovido de documentação adequada e confiável que falava sobre fundos da entidade entre 1998 e 2015. O Departamento de Defesa não recebeu tal quantia em toda a história americana. A declaração foi de tal estupidez que o “The Federalist” fez questão de adjetivar corretamente a deputada eleita. Ora, saber do que se fala é o básico para qualquer profissão que se exerce. É para a vida. Pense então em alguém prestes a assumir uma cadeira no Congresso do país mais poderoso do mundo. Matemática e história americana não parecem ser os pontos positivos de Ocasio-Cortez.

Tanto que, numa dessas declarações horrorosas que só alguém da esquerda pode fazer, ela arrumou uma encrenca com o senador republicano da Carolina do Sul, Lindsey Graham. Ao comparar os imigrantes ilegais que tentam entrar ilegalmente nos EUA com famílias judias que fugiam da Alemanha Nazista, Ocasio-Cortez despertou a ira em muita gente, e logo recebeu a devida resposta do senador: ‘’Pode ajudá-la a entender melhor as diferenças entre o Holocausto e a caravana em Tijuana’’, sugerindo que ela visitasse o Museu Memorial do Holocausto em Washington. Associar um país que historicamente lutou pela liberdade e inclusive derrotou os nazistas na Segunda Guerra à Alemanha Nazista não deveria ser o comportamento de uma congressista americana. Mas foi.

Os americanos medem a grandeza de um político tendo como base gente do naipe de Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, George Washington ou Theodore Roosevelt. Foram grandes tanto na intelectualidade quanto na conduta. Fizeram grandes realizações e deixaram as sementes intelectuais que germinariam como as bases da nação mais próspera e livre da terra. Deixaram um grande legado que, tendo no meio político gente como Alexandria Ocasio-Cortez, não poderia estar sendo mais desrespeitado.

Alexandria Ocasio-Cortez é inculta, despreparada e movida pelo vitimismo típico de quem a colocou na Câmara dos Representantes. Não à toa as críticas feitas a ela por suas gafes irrisórias estão sendo tratadas como manifestações de machismo, xenofobia e racismo. Como se origem dela a desse carta branca para disparar absurdos sem ser incomodada por quem não compactua com a sua agenda – se é que de fato ela tem uma.

Como disse Michael Graham em sua coluna na “CBS News“: ‘

As gafes de Ocasio-Cortez se tornaram tão frequentes – e prejudiciais – que uma indústria artesanal se levantou à direita para tocá-las’.

A autointitulada socialista democrática (?!) virou piada entre os republicanos – e com razão. Não é difícil imaginar como o establishment democrata deve estar de cabeça roxa com a sua ascensão e carisma incrível entre as ‘’minorias oprimidas’’.

Manuela d´Ávila – a ícone das feministas brasileiras que não passaram dos 18 anos e amam palpitar sobre política sem saber nem mesmo o que significa a sigla ‘’PEC’’ – é motivo de igual chacota por mostrar seu total despreparo político. A esquerda americana jovem tem a sua ‘’Manu’’, e de tão imbecil e ao mesmo tempo radical que é, elegeu uma deputada feita a sua imagem e semelhança. Ontem seu ícone foi JFK, hoje é Ocasio-Cortez. Sinal dos tempos.

Referências: [1] [2] [3] [4] [5]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia.

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