OPINIÃO: A desconhecida perseguição anticatólica

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A falta de conhecimento histórico faz com que milhares de pessoas julguem fatos do passado com os olhos dos tempos atuais.


Fatos ocorridos nos séculos passados são vistos como cruéis e sádicos. Os inimigos da Igreja Católica, por exemplo, venderam a imagem de que nos seis séculos que durou a inquisição, padres e bispos queimavam pessoas nas fogueiras de maneira arbitrária e desumana (coisa que nunca ocorreu, pois quem queimava os condenados na fogueira era a justiça civil), sem direito a julgamento ou a qualquer possibilidade de defesa.

Essa mentira é aceita e propagada até hoje por indivíduos que jamais se deram o trabalho de ler um mísero livro sobre o tema. Mas não vou entrar no cerne da questão (quem sabe em um próximo artigo). Quero me ater a outras formas de inquisição que ocorreram e ainda ocorrem pelo mundo, e curiosamente não são nem de perto vistas com tanto temor quanto à inquisição católica.

Talvez seja novidade ao leitor que neste momento percorre os olhos pelas linhas deste artigo o fato de serem os católicos o grupo religioso mais perseguido e morto em todo o mundo. Este morticínio não é atual, e vou lhe mostrar alguns fatos que são de conhecimento geral e outros dos quais quase não se fala.

REVOLUÇÃO FRANCESA

A revolução francesa foi uma das maiores responsáveis por vender a imagem negativa da Igreja. Porém, poucos sabem que somente entre 1793 e 1794, essa revolução matou mais pessoas em um ano do que a inquisição em seis séculos. Ao final do século XVIII, a revolta francesa havia matado 17.000 padres e pelo menos o dobro de freiras. Além é claro de destruir Igrejas e confiscar seus bens. Estima-se que a revolta jacobina tenha ceifado mais de 30.000 vidas de civis em apenas seis anos. Ainda assim, nos dias atuais, a revolução francesa é vista por muitos como um avanço social e comemorada até hoje.

NAZISMO

O nazismo, embora tenha sido banido da vida política e social do mundo, ainda encontra milhares de simpatizantes ao redor do globo. Estima-se que este regime socialista tenha matado mais de seis milhões de judeus, além de ciganos, latinos e deficientes mentais e físicos. Neste regime que, como disse antes, era socialista e, por tanto, ateu, os religiosos católicos foram perseguidos e mortos. Estima-se que quase 3.000 padres e monges tenham sido levados aos temíveis campos de concentração e Igrejas foram destruídas e saqueadas. A perseguição nazista aos católicos reduziu drasticamente o número de Igrejas e religiosos católicos naquele país.

COMUNISMO SOVIÉTICO

Assim como no socialismo nazista, o comunismo soviético e de outros países vitimado por este regime assassino e atrasado, os religiosos católicos foram perseguidos e mortos. Além é claro, de Igrejas terem sido destruídas e saqueadas, mantendo o comportamento animalesco da revolução francesa. O comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas no mundo e segue matando até este presente momento. Entretanto, ainda assim, é largamente difundido e aceito no mundo Ocidental como uma manifestação político/ideológica humana e, para seus seguidores, quase divina. Só para se ter uma ideia, durante a grande fome (1921–1922), a Igreja Católica sozinha alimentou mais de meio milhão de pessoas por dia. Neste ínterim, Lênin estava confiscando terras e demais propriedades da Igreja com o objetivo de enfraquecê-la. Não contente Lênin mandou expulsar os católicos que alimentavam o povo e, ordenou a execução do clero que se posicionasse contra seu regime mortífero. Somente na Ucrânia, das 68 Igrejas, 52 foram saqueadas e/ou destruídas. Em 1923, o número de padres católicos na Rússia, caiu de 245 para menos de 70. Entre 1917 e 1925, cerca de duzentos mil católicos desapareceram sem deixar vestígios — assassinados pelo regime soviético. Em Moscou e São Petersburgo, centenas de leigos, religiosos e sacerdotes, incluindo toda a comunidade de freiras dominicanas foram presos e até hoje não se conhece seu destino final. Em 1924, não havia nenhum bispo católico em liberdade na URSS.

Dez anos mais tarde, das 3300 igrejas e 2.000 capelas católicas existentes na Rússia pré-revolucionária, ficaram abertas apenas duas que eram usadas pelo governo para demonstrar à comunidade internacional a “liberdade religiosa existente” na URSS. Durante o regime de Stálin, o ditador levou a diante a limpeza religiosa no país. Cooptou a grande maioria da Igreja Ortodoxa Russa, principalmente após seu ato nacionalista contra os nazistas em 1943 e pressionava os católicos a abandonar Roma e aderir à Moscou. A mão de Stálin pesou principalmente sobre a Igreja Católica Grega, na Ucrânia.

Isto é uma pequena amostra das atrocidades soviéticas contra os católicos, pois, na verdade, existem mais dados que não colocarei neste artigo para que ele não fique extenso e cansativo.

COMUNISMO CUBANO

Mais um regime comunista que seguiu à risca os “ensinamentos de Marx” autor da famosa frase: “A religião é o ópio do povo”. Segundo a Câmara Ibero-Americana de Comércio/Stanford Research Institute, o regime dos irmãos Castro vitimou entre 1959 e 2004, cerca de 56.212 pessoas no paredón; mais 1.163 mortes extrajudiciais; 1.081 presos políticos mortos no cárcere por maus-tratos; 77.824 mortos em tentativas de fuga pelo mar, totalizando incríveis 136.288 mortos ou desaparecidos. Fidel, como todo comunista que se preze, não poderia deixar de perseguir os cristãos, sobretudo os católicos; e, sendo assim, durante seu governo ditatorial, expressou publicamente repúdio contra a Igreja Católica e mandou expulsar da ilha cubana 131 sacerdotes, além de ordenar o fechamento de escolas mantidas pela Igreja. No período de Fidel, a religião cristã foi reduzida ao mínimo.

COMUNISMO CHINÊS

O mais mortal de todos os regimes comunistas, o regime chinês matou cerca de 80 milhões de pessoas desde a sua implementação. Também neste caso, católicos foram perseguidos e mortos, mantendo a “tradição” comunista. Mesmo após anos do fim do regime de Mao, o número de católicos perseguidos e mortos na China vem aumentando. Segundo o relatório da China Aid, em 2016, a perseguição anticatólica aumentou 20% em 2015, enquanto os cristãos aprisionados aumentaram incríveis 150%. Funcionários do Partido Comunista Chinês (PCC), que é oficialmente ateu, também ordenaram a demolição forçada de igrejas e a remoção de cruzes em Igrejas. De acordo com a China Aid, os cristãos ainda são forçados a praticar suas crenças em igrejas subterrâneas ou em ambientes domésticos, acrescentando que a China ocupa o 39º lugar entre os 50 piores países do mundo que perseguem cristãos.

GUERRA CIVIL ESPANHOLA

Durante a guerra civil espanhola (1936–1939), as maiores vítimas foram mais uma vez os católicos. Neste período era considerado crime ser católico e, o ódio a Igreja e aos seus fiéis cresceu tanto, que católicos foram vítimas de assassinatos brutais executados pelo Estado, sindicalistas anarquistas e, claro, agentes comunistas. Em apenas quatro anos, cerca de 4.000 mil sacerdotes e 2.300 religiosos de toda sorte foram mortos. Somente em Madri, morreram assassinados cerca de 334 padres — alguns queimados e outros enterrados vivos. São documentados que além de enterrarem religiosos vivos, alguns tiveram as orelhas decepadas, outros os olhos arrancados e, alguns foram arrastados pela cidade, foi o caso do pároco de Carmen, Sotero González Lerma.

Não fugindo à regra, o governo espanhol saqueou e destruiu centenas de Igrejas. Hugh Thomas, em “A guerra Civil Espanhola”, afirma que:

Nunca se viu na Europa e no mundo, um ódio tão apaixonado contra uma religião.

Mais de cem sacerdotes da diocese de Barbastro foram fuzilados. Todos foram terrivelmente torturados antes de serem mortos e, em alguns casos, eram espancados, tinham os olhos vazados, sofriam queimaduras, choques elétricos, além de casos de estupro contra monjas. Fruto de um ódio marxista contra o catolicismo, o caso do Irmão Fernando Saperas tornou-se conhecido quando este antes de receber a rajada de tiros fatais gritou: “Viva ao Cristo rei!”.

Observem que esta barbárie ocorreu a menos de 100 anos e, para a maioria da população mundial, é um fato desconhecido.

GUERRA CIVIL MEXICANA

A guerra civil mexicana (1926) foi usada de pretexto pelo Estado para a nacionalização dos bens eclesiásticos, a supressão da ordem religiosa entre outros. Neste período a única doutrinada proibida no país foi a católica. Nesta época foi também suprimida a ordem Companhia de Jesus, bem como de suas escolas e, a expulsão ou prisão de todo ou qualquer católico que protestasse contra o governo.

O papa Bento XV (1914–1922) publicou a encíclica “Iniquis A fflictisque” onde denunciou as agressões que a Igreja sofria naquele país disse:

“Já quase não resta liberdade alguma à Igreja (no México), e o exercício do ministério sagrado se vê de tal maneira impedido, que é castigado, como se fosse um pecado capital, com penas severíssimas”.
Entre 1926 e 1929, foram assassinados 85 sacerdotes, aumentando a lista de cristãos mortos pelo Estado ao redor do mundo e através dos tempos. E ainda assim a mídia em especial faz questão de esquecer estes fatos.

ORIENTE MÉDIO

Mesmo que a mídia propague a falácia de que o Islã é a religião da paz e que o cristianismo é cruel e fundamentalista, os números são incontestáveis. De acordo com o site Zenit.org, em 2007, pasmem, mais de 250 milhões de pessoas foram perseguidas somente por seguir Jesus Cristo. De 2007 até hoje este número seguramente só fez aumentar. Perseguições violentas são rotinas no Irã, Arábia Saudita, Paquistão e etc. Nestes países, a prática de mazelas contra os fiéis em Cristo tais como sequestros, conversões forçadas, prisões, destruição de Igrejas, torturas, estupros e execuções são uma constante.

Nota-se, portanto, que adorar a Cristo no passado e nos dias atuais foi e é motivo para perseguições e execuções. As mentiras que os inimigos da Igreja espalharam por séculos ainda hoje tem efeito comprovado. Como escrevi no inicio do artigo, a ignorância histórica faz com que as pessoas comprem a mentira como se fosse uma verdade inquestionável. Aos que quiserem saber mais sobre o que foi e como ocorreu à inquisição, recomendo o livro (Para Entender a Inquisição — Prof. Felipe Aquino).

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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