OPINIÃO | Cuba: Exemplo de Saúde Pública?

No artigo anterior, desconstruí um dos maiores mitos do governo de Cuba que é a educação. Hoje não poderia deixar de comentar outro mito cubano: saúde.

É sempre importante trazer à luz a verdade que na maioria das vezes a imprensa e os professores fazem questão de “esquecer”. E o fazem para manter viva uma fantasia construída através da mentira; que como tudo no meio socialista, não passa apenas de mais uma ilusão no mundo utópico do comunismo.

Antes de qualquer coisa é preciso reconhecer que com a chegada de Fidel ao poder de fato foram construídas diversas clínicas, hospitais e faculdades de medicina. Entretanto isso não quer dizer de maneira alguma que o índice no atendimento, bem como a eficiência no serviço de saúde tenha de alguma maneira melhorado. O que ocorreu em Cuba foi a construção de prédios vazios e sem uso (elefantes brancos). É o mesmo que acontece em diversos municípios brasileiros: obras feitas com dinheiro público do qual este mesmo público não se beneficiará. Tal como no Brasil, em Cuba, se vive de aparências. Prédios e mais prédios são levantados sem que jamais sejam usados em sua plenitude.

Os hospitais são tão ruins quanto os nossos. Alguns hospitais não têm janelas, pois as mesmas caíram e em seu lugar foram pregadas tábuas velhas; os corredores carecem de iluminação, os assentos são amarrados com corda, uma vez que em algumas partes estão frouxos, as paredes não têm pintura e o ar-condicionado e ligado apenas algumas horas por dia (o que é desumano já que ilha fica no Caribe, local de altas temperaturas).

Hospitais provincianos são ainda piores: sem ar-condicionado; salas e corredores com pouca ou nenhuma iluminação. A falta de iluminação faz com que ocorram casos de estupro. Mulheres que saíam de seus quartos para amamentar seus filhos eram surpreendidas por bandidos que a violentavam ali mesmo no corredor. Não há roupas de cama, os pacientes devem trazer de casa (se tiver) e o mesmo com a alimentação.

A situação é tão degradante ao ponto dos próprios médicos orientarem os pacientes que não se encontram em caso grave, a retornar para suas casas, pois a péssima situação de higiene nos hospitais aumenta a chance de o internado contrair outras doenças. Médicos, enfermeiras e os pacientes praticamente imploram por alguma coisa adicional em sua deficiente alimentação.

Em Cuba, as estrelas dos hospitais não são os médicos e sim as cozinheiras. Elas muitas vezes encontram-se em uma encruzilhada, sem saber se preparam o alimento à equipe médica e pacientes ou se levam alguma coisa para si e seus filhos. A má qualidade na limpeza nos centros de saúde se dá pela mesma razão: os poucos produtos de higiene são levados pelo pessoal da limpeza — e não usarei o termo roubados, pois em um país onde o povo nada tem, os critérios morais ficam em segundo plano.

O cenário descrito até aqui não surpreende quem já teve a infelicidade de fazer uso do serviço de saúde do SUS. Para elucidar bem os fatos eu digo que o “incrível” sistema de saúde cubano não passa de um SUS piorado. Imagine o quanto não deve ser revoltante e desolador o cidadão em Cuba ter que passar a vida toda tendo que escutar uma mentira tão explícita que beira o insano, e ainda sentir a impotência de não poder fazer ou falar contra essa triste situação.

E dessa forma o povo da ilha sobrevive há mais de cinquenta anos, tendo que diariamente pensar o que fazer para comer e rezando fervorosamente para não adoecer. É na verdade difícil saber o que é pior em Cuba: ficar doente ou ir para o hospital.

 

Artigo de Fábio Martins no Projeto Voluntários

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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