OPINIÃO: Desonra e conivência ideológica

Honra, no dicionário, significa: princípio que leva alguém a ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade.

Conquistar a honra é algo difícil, exige esforço e, por isso mesmo, é tão gratificante tê-la, conquista-la e merece-la. Uma vez conquistada à honra deve-se preserva-la; já que, é muito fácil perdê-la. Mas, pior do que isso é conquistar o mérito mediante coragem e bravura para, simplesmente alguém o destruir, sem se importar com tudo o que foi preciso passar, suportar e viver para merecê-lo. Apenas um gesto — por menor que seja — é capaz de manchar uma pessoa ou um grupo delas, e foi justamente isso que uma deputada estadual fez no parlamento gaúcho.

Cada deputado estadual no estado do Rio Grande do Sul tem o direito de homenagear uma pessoa com a medalha do Mérito Farroupilha. A honraria deve seguir alguns pré-requisitos para que, efetivamente, possa ser entregue ao homenageado. É apto a receber a medalha pessoas que tenham contribuído com o Estado no desenvolvimento cultural, econômico ou social. Porém, nos últimos anos, a entrega da medalha tem se tornado cada vez mais problemática, pois, aparentemente, alguns deputados no auge de seus delírios ideológicos e, de forma completamente desrespeitosa, tem dedicado o mérito a seres que em nada contribuíram para o desenvolvimento do Estado. Em 2015, o deputado Edgar Pretto, do PT, rendeu suas homenagens a ninguém mais que o presidente da Bolívia, Evo Morales. Morales que, não seria de se estranhar, talvez nem saiba da existência do Estado do Rio Grande do Sul. Mas, ainda assim, teve seu nome aprovado para receber o mérito.

Em 2017, outro candidato a receber o Mérito Farroupilha foi ninguém mais que o degenerado deputado federal Jean Wyllys, PSOL-RJ, que assim como Evo, nada fez pelo Estado mais ao sul do Brasil. A responsável pela aberração foi a não menos degenerada deputada estadual Manuela D’Ávila, PC do B, que desrespeitando os pré-requisitos básicos fez sua homenagem a uma pessoa que não se enquadra como merecedora. Entretanto, a mesa diretora da assembleia gaúcha parece ser conivente e ajuda sistematicamente a manchar a história de homens e mulheres que morreram na batalha farroupilha.

Alguns membros da classe política demonstram a cada dia não respeitar a história, a cultura e as tradições do povo. Conceder medalhas de toda sorte a pessoas que, simplesmente não merecem ganhar nada além de vaias é acima de tudo uma aberração histórica. Ao fazerem coisas desse tipo a classe política, que em tese, deveria conhecer a história de seu povo, ajuda de forma quase criminosa a esculachar uma história da qual eles mesmos são herdeiros. O leitor deve ter notado que esse descaso com a honra farroupilha partiu de dois representantes da esquerda. PT e PC do B, respectivamente, demonstram de forma clara o quanto a esquerda de forma geral não tem a menor consideração para com os fatos históricos; nada está acima da ideologia, se for preciso, jogam sem pudor algum, um balde de tinta sobre as memórias dos fatos que determinaram nossa história, sobre fatos que ajudaram a construir nosso modo de ser e viver, sobre fatos que, de alguma forma, nos fazem sentir orgulho — em menor ou maior grau — e nos fazem querer por isso, manter e espalhar a tradição. A falta de cultura histórica fortalecida por um ensino que finge educar e, mantida por um povo que foge dos livros como um vampiro da cruz, faz com que a cada ano, mais e mais casos como os citados aqui sejam repetidos. E eu profetizo nestas linhas que escrevo: outros muitos casos de desrespeito com a história ainda acontecerão; muitas medalhas serão entregues a seres que muitas vezes aviltam contra a decência, ética e moralidade.

O que ocorreu em 2015 e 2017 no Estado do Rio Grande do Sul não foi mais do que um retrato do Brasil contemporâneo. A ignorância frente à história, a mesquinhez, a imoralidade em todos os sentidos é um mal que acompanha nosso povo desde muitos séculos; e até onde posso perceber, não será esta realidade transformada em curto prazo de tempo. Alias não vejo perspectiva de melhora nem em longo prazo. Mas nem tudo é permanente, existe uma chance de revertermos esse quadro quase patológico. A chave, o segredo de tudo sempre esteve em você e no povo de forma geral. É absolutamente indispensável que você saia do coma cultural que te impuseram e passe a buscar instrução nos livros. Quer mudar a realidade das coisas no Brasil? Quer de verdade? Então faça o que eu digo. Do contrário, fique toda a vida insatisfeito com as coisas que vê no dia a dia.

 

Artigo de Fábio Martins no projeto #VoluntáriosRENOVA

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Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

1 Comentário

  1. FABIO S AMARAL disse:

    E a gente ainda $ paga por isso. Triste!

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