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OPINIÃO: O feminismo e a farsa dos 30%

Artigo de opinião do colaborador João Guilherme

O wage gap, ou diferença salarial, é uma das principais razões existenciais do movimento feminista do século XXI – junto ao aborto e às campanhas pela liberdade de mostrar os seios. Embora pareça uma luta mais válida do que as outras e muito mais próxima do que era buscado pelo “feminismo original”, que era muito diferente do visto hoje em dia, a tentativa feminista de acabar com o wage gap é rodeada por mentiras, ódio e desinformação, fazendo com que um assunto importante perca a sua credibilidade por ser apresentado e combatido da maneira errada e, com isso, prejudicando as próprias mulheres.

O feminismo atual e suas lutas distorcidas (em referência ao movimento político, não às campanhas de aceitação e empatia – palavra que já deveria ter sido excluída do dicionário) já foram tema de outro artigo escrito por mim, mas decidi direcionar novamente minhas atenções ao movimento após uma semana de polêmicas envolvendo a diferença salarial entre homens e mulheres e, portanto, o movimento feminista.

O que acontece é que, movidas por diversas “pesquisas”, muitas mulheres – e alguns homens – trazem o tema à tona e passam a agir de maneira desinteligente – ou burra, se preferirem – contra qualquer um que ouse questionar ou discordar das informações apresentadas. Decidi separar alguns exemplos mais comuns usados em certos temas para mostrar que nem sempre, ou quase nunca, informações honestas são passadas. Alegações sem sentido são feitas sem se preocupar com a realidade, principalmente quando a capacidade de produzir uma argumentação real está em falta.

A primeira alegação, que também é a mais clichê de todas, é o machismo. Mais comum entre as mais influenciáveis e mais extremistas, ela serve para praticamente tudo que vá na direção contrária daquilo que elas acreditam. Alguém é contra o aborto? Automaticamente é machista, pois não defende o direito de liberdade da mulher – como se existisse oferecer direito fundamental a um baseado na retirada do direito fundamental de outro. Por acaso alguém ousou discordar da tese que as mulheres devam ser eleitas ou contratadas apenas para cumprir “cotas”? Também é machista, neste caso por não querer a participação ativa das mulheres no mercado de trabalho ou na política – afinal, de que importa a competência de alguém quando o gênero está em jogo? Em suma, é terminantemente proibido não concordar com as causas simplistas das extremistas, pois isto torna o discordante em persona non grata naquele meio – não que isto seja algo ruim para o sujeito -, exatamente da mesma maneira que os terroristas e assassinos de ontem adoram chamar aqueles que hoje discordam deles de fascistas.

O “argumento” que aparece como vice-colocado em número de repetições por feministas é a incapacidade de argumentar. Em outras palavras, quando convém para elas, nenhum homem deve ter a audácia de opinar – de forma contrária – sobre algum assunto “que não lhe pertence”, pois ele nunca sofreu por conta daquilo. Usando os mesmos exemplos citados acima, um homem não poderia opinar sobre o aborto pois não tem útero; muito menos falar sobre a falta de mulheres no mercado de trabalho e na política pois está em posição de privilégio.

O único momento em que uma dissertação minimamente honesta – levando em conta que a tal PNA, usada para defender o aborto, é completamente falsa – é feita é para se referir ao wage gap. De fato, existem algumas pesquisas que apontam uma diferença gritante entre os salários de homens e mulheres, como esta e esta. O problema, porém, é a metodologia. A maior parte das pesquisas salariais são reais, mas usam um método que não é eficaz para mostrar um resultado real, pois se baseiam em uma média. A falha das pesquisas comuns sobre a diferença salarial é simples: as amostras usadas não generalizadas, não condicionadas a cargos, empresas e produtividade. Ou seja, coloca no mesmo balaio a diretoria de uma empresa e a recepção de outra, tirando daí o comum 30%. O número é real, mas não representa a realidade, portanto não poderia ser usado como argumento para justificar o suposto machismo presente e predominante no país.

Que o número não é válido muitos sabem, mas muitas vezes falta argumentos para contrapô-lo. Sabendo disso, inclusive por ter sido parte deste grupo por muito tempo, decidi ir em busca de pesquisas que usavam metodologias diferentes daquelas comumente usadas pelos institutos que as realizavam. A mais completa que encontrei foi uma pesquisa de 2015 da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, a FEE, que usa um método reconhecido internacionalmente, o qual sequer tentarei explicar pois as fórmulas estão além do meu conhecimento. No entanto, usando os argumentos feitos para invalidar as outras, resumirei: uma amostra de cerca de 100 mil salários foi recolhida e dividida em empresas, cargos e produtividade. A partir daí, todos os devidos cálculos foram feitos e a seguinte média foi obtida: os salários de homens e mulheres apresentam diferença em cerca de 20% dos casos.

Porém, contudo, todavia, em 13% dos casos em que há diferença, ela pode ser explicada por diferenças “pessoais”: mulheres estudam mais e começam a trabalhar mais trade; têm mais probabilidade de interromper o trabalho no ano seguinte e tendem a se concentrar em ocupações que remuneram menos. Ou seja: em apenas 7% dos casos de wage gap as razões não são o cargo, a empresa e/ou a produtividade. Estas são citadas no próprio estudo como “motivos não revelados”. Isto significa que, mesmo sendo extremista e considerando que em todos os casos destes 7% o motivo é o machismo, a má vontade do empregador representa uma esmagadora minoria de casos de diferença salarial. Do contrário, caso as mulheres fossem realmente mão-de-obra mais barata, qualquer empresário minimamente inteligente tiraria proveito disto e empregaria muito mais mulheres do que homens, já que menos custo de produção significaria mais lucro.

Portanto, para concluir em clima de eleições, perguntar a qualquer candidato o que ele faria para diminuir a diferença salarial não é inteligente por dois motivos:

  1. A CLT já proíbe qualquer discriminação motivada por gênero ou razões intrínsecas – e, como foi visto, as razões que causam a diferença salarial real não são preconceituosas.
  2. wage gap de 30% é uma farsa. Além disso, a diferença que existe é mínima e o argumento feminista usado para justifica-la é completamente inútil já que não representa a realidade.

O feminismo político é muito mais danoso do que benéfico, e suas mentiras devem ser expostas para que não sejam mais levadas em consideração por aquela parte da população que, por acaso, tenha menos acesso a meios para saber da verdade. Ou, em grande estilo, feminismo político é fake news!

 

Artigo de opinião do colaborador João Guilherme

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia

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