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OPINIÃO: Vossos peitos e vossos braços são muralhas do Brasil

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Mais uma vez, é hora de agir e se engajar na luta por um país melhor.


O título deste artigo não é de autoria minha, acho que não teria capacidade para produzir uma frase tão realista; tampouco é de algum filósofo/escritor recente ou mesmo atual. Ela é um trecho do Hino de Independência do Brasil, de 1822. O autor pode não estar vivo, mas a frase segue tendo tanta importância como há quase 200 anos.

Os tempos eram outros. Naquela época, Dom João voltava a Portugal por pressão das revoltas populares ocorridas no país. Insatisfeitos com o “domínio” inglês que durava desde 1808, os portugueses queriam que a nação voltasse a ser o que era antes e pediam o rebaixamento do Brasil à simples posição de colônia. Por aqui, José Bonifácio e a mulher de Dom Pedro I, vendo no país um futuro promissor, arquitetavam uma independência e aconselhavam o príncipe-regente.

Em 1822, numa das cartadas mais inteligentes da história do Brasil, Dom Pedro, às margens do rio Ipiranga, nos declarou independentes de Portugal. Nascia ali o Brasil Império.

A intenção destes primeiros parágrafos não foi simplesmente dar uma aula de história, mas mostrar que a melhor era do Brasil começou quando o povo se levantou, declarou apoio a quem realmente queria o bem do país e mostrou que os que querem apenas tomar proveito dele não são bem-vindos.

Quase 196 anos depois, o Brasil se encontra em uma situação muito semelhante: um grupo realmente quer o bem do país, enquanto o outro quer apenas explorar – no sentido negativo da palavra – o que existe de bom por aqui. A tarefa de dar nomes aos bois e classificar quem é quem no atual momento eu deixo ao leitor, por enquanto o que quero é mostrar que, dois séculos depois, o que foi escrito na época ainda vale para o país.

A data de publicação do artigo não é acidental. Hoje é 03 de abril de 2018, véspera de um dos julgamentos mais importantes da história do Brasil. O que está em jogo na sessão de amanhã do STF não é apenas o futuro de um ex-presidente, mas também a seriedade da Suprema Corte e, talvez menos provavelmente, a antecipação de como será o clima das eleições presidenciais deste ano.

Seja como o que foi feito em 2013, ou nas manifestações pelo impeachment em 2015-16, o brasileiro não pode deixar de ir às ruas no momento mais importante do século até aqui. Em 1822, ao escrever o hino do Império, Evaristo da Veiga disse que “vossos corpos, vossos peitos são muralhas do Brasil.”. Tantos anos depois e o verso continua a ser extremamente real. Só nossos corpos, nossos peitos e nossa vontade de seguir em frente pode impedir o Brasil de descarrilhar e cair no desfiladeiro.

Aconteça o que acontecer, a melhora não será imediata. Não é momento para comemoração extrema ou de sair do país por perder a esperança. Se tudo correr bem, o povo precisa permanecer impávido e colosso para enfrentar as dificuldades que aparecerão pelo caminho. Se o trem perder o controle, que não nos desesperemos, afinal, parafraseando Evaristo da Veiga mais uma vez, ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil.

Amanhã, os próximos meses e outubro serão de extrema importância para o futuro imediato do país, mas como qualquer atleta que se prepara para uma competição importante, o resultado obtido não pode fazer com que ele perca o ritmo que adotou para alcança-lo.

A esperança é de que o STF não nos envergonhe, os ladrões tenham o futuro que merecem e que, do universo entre as nações, volte a resplandecer a do Brasil.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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