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OPINIÃO: Temer… Presidente?

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De vice figurativo, passando por “golpista” e agora pretenso candidato?

Michel Miguel Elias Temer Lulia, nascido em 1940 na cidade de Tietê no interior de São Paulo, o filho de imigrantes libaneses por vezes deputado federal, presidente da câmara, secretário de segurança, procurador, uma figura conhecida pelos lados de Brasília. Articulador político, pessoa de bom discurso, fala muito técnica no que se refere a leis e legislação, uma pessoa de fino trato no mundo dos favores e trocas republicanas.

Imagino que ele nunca tenha se imaginado presidente, que mesmo estando tanto tempo na capital do país. Jamais lhe passou a idéia de ser um presidente, eleito, um cara com grande apelo e carisma entre eleitores. Tanto que suas eleições como deputado, nunca foram muito expressivas, a última aliás, foi no bico do corvo, quase não conseguiu se eleger a deputado.

Eleito vice-presidente na chapa PT-PMDB com Dilma e apadrinhados por Lula, era apenas uma figura apagada e sem grande relevância política na vida do governo Dilma. Desde o início cercado de denúncias, o governo Dilma seguia seu rumo até os protestos descerebrados de 2013, quando a população do Brasil resolveu protestar. Se pensarmos bem, não houve nada que fosse dado como estopim desses protestos, nenhum ato de grande relevância. Pode-se dizer que foram os 0,20 centavos, ou que foi as denúncias de superfaturamento dos estádios da copa que viria em 2014, ou o comercial de carros com a música tema de “vem pra rua”, etc… No imaginário coletivo veio a sensação de “precisamos protestar” e assim foi feito.

Mas protestar em prol de que? Contra o que? A favor de quem, contra quem? Por que?

Imagem Deutsche Welle

Avenidas, estradas, ruas, pistas foram fechadas, tomadas, e sem ninguém conseguir explicar com que significado, apenas protestar.

O ano passou, a copa veio, Brasil levou nabo, e Dilma foi re-eleita. Temer vice eleito também, (tem petista que não gosta de lembrar, mas foto dele estava na urna na hora do voto) e dai começou a queda da petista, quando ela resolveu encrencar com a eleição do presidente da câmara, escolhido por seus pares Eduardo Cunha do PMDB do RJ. Também pouco conhecido nacionalmente, mas com grande influência em seu partido e no mundo de Brasília. Com o conflito entre ambos, ninguém se beneficiou, ela perdeu a presidência com a denúncia que ele aceitou como presidente da câmara. Ele perdeu seu cargo, seu mandato, seus benefícios de político eleito e teve o julgamento mais rápido e fulminante que me lembro nessas décadas de vida. Está preso e sem a menor esperança de um Gilmar Mendes lhe conceder um HC.

Foto: Divulgação

A partir daí, temos Temer “presidento”. Figura discreta, de pouca mídia, conhecido por apelido jocoso de “vampiro” ou pelo apelido dado pelo finado político baiano Antonio Carlos Magalhães “mordomo de filme de terror”. Chega com muito barulho e protesto da imprensa engajada e claramente militante, toda assanhada em lhe chamar de golpista, dizendo que todo o caos do país era sua culpa, e com um desafio igual ao de Itamar Franco, quando da queda de Fernando Collor em 1992.

Por onde começar? O que fazer?

Foto: Revista VEJA

Temer teve ao meu ver a chance de ser um cara bacana e de grande relevância assim como considero Itamar Franco o melhor presidente que já vi. Mas Temer, bem, é um esquerdista, em um partido chato, cheio de gente que só pensa em cargos e vantagens. Ele não se mostrou tão poderoso como eu esperava. Foi perspicaz em diminuir o número de ministérios que haviam (32 para 23), mas começou a amolecer quando escolheu seus ministros e cedeu as pressões por chamar mulheres, negros, índios, gays, e toda minoria que fosse possível se lembrar. Inclusive, contratando a figurinha caricata, Luislinda Valois, a que se sentia escravizada por não receber um salário acumulado de mais de 60 mil reais.

Depois cedeu também na hora de eliminar o ministério da Cultura, que convenhamos, não serve de nada, ah, e que fora criado por José Sarney (quer motivo melhor pra acabar com isso?). Conseguiu algumas vitórias como a mudança nas regras trabalhistas, queda na inflação, crescimento do PIB. Mas teve muitas derrotas também, falhou na reforma da previdência, voltou a aumentar a quantidade de ministérios, não foi capaz de tomar atitudes imponentes que um líder precisa ter no caso dos conflitos em presídios pelo país inteiro, nem solução para de fato ajudar a economia. Vejamos, a inflação não caiu por alguma medida sua, e sim por que não tínhamos mais a Dilma nem o PT no governo para atrapalhar.

Não fez nada também pelas pequenas empresas, nem pela infra-estrutura nacional. Ou seja, só sentou na cadeira, e torceu pra tudo dar certo. Ele tem consigo toda a base aliada que aprova qualquer coisa que ele possa desejar, mas se mostra fraco em utilizar isso em temas polêmicos. Parece estar mais preocupado com o que a história vai dizer de si, do que com a vida que levamos hoje. Mais preocupado em parecer um cara bacana, inclusive para petistas que hoje lhe odeiam. Ninguém, nem Jesus Cristo conseguiu agradar todos, que dirá o simples Temer.

Chegamos a 2018, o ano que pode ser decisivo em nossas vidas e de todo o país, e nesse ano, ainda que as pesquisas do nível de um data folha digam que sua popularidade é de 7%, ele abre mão da reforma da previdência e aceita o pedido de intervenção federal no RJ após o carnaval. Uma medida populista, claro, mas com forte apelo popular, afinal, o que se viu no último carnaval carioca, foi demais até para esquerdistas que adoram toda a depravação e crime que ali aconteceram.

Ao meu ver, ali nada será feito além do velho e conhecido “enxugar gelo”. Afinal, a notícia foi dada, foi para votação, aprovada, e tal, muita conversa do que pode e não pode ser feito pelas forças armadas e nesse meio tempo, todos os criminosos que quiseram, já fugiram, levaram seus produtos químicos, esconderam armas, foram tirar umas horas de folga, e tal. Enquanto o Exército estiver ali, a situação e a sensação de segurança estará presente, mas e quando ele se for no fim do ano? Temer tenta surfar no discurso duro e sem açúcar de Jair Bolsonaro, que leva a segurança como principal tarefa do estadista maior da nação a ser realizada para iniciar a melhora no país se eleito, mas o faz com ar de estagiário, jogando pra torcida. Com a pueril esperança de que tudo vai se resolver assim como a inflação, sem sangue, sem suor. Impossível.

Nos últimos tempos, tenho acompanhado MAV´s como os do PT, trabalhando e espalhando comentários pelo twitter com mensagens elogiosas e “puxassaquísticas” em prol de Temer. Mensagens sem sentido, feitas de forma bisonha que nada provocam além de riso. Mas é um termômetro, um indicativo.

Considero que é uma tentativa do então presidente se mostrar apto a um novo mandato, ou que não seja candidato, vender seu apoio e principalmente, o apoio de seu partido cobrando ainda mais caro do que já cobram habitualmente. Com esses movimentos fica bem claro que PT ou PSDB terão de pagar ainda mais do que já pensam para ter o tempo de tv e rádio que o PMDB ou se preferirem MDB como se chamam agora tem. Tempo esse que é fundamental para Geraldo Alckimin poder tirar de si a aura de picolé de chuchu e se apresentar ao Brasil melhor e mais forte que em 2006.

Temer como presidente é fraco, insípido, inodoro, mas tem atrás de si uma máquina política gigantesca e pretendida por muitos que amam mamar nas gordas tetas do estado. Por mais que tente, Michel Temer jamais conseguirá apagar que só chegou ao cargo de “presidento” como vice da petista Dilma Rousseff. Seu legado, creio que a intervenção no RJ pouco lhe agregará valor. Visto que OAB, ONGs, PSOL, e tudo quanto é esquerdista, maconheiro, financiador do tráfico, e articulistas da imprensa stablishment não vão deixar fazer o trabalho que deve ser feito ali, da forma como deve ser.

Ele conseguiu se livrar do crime feito por Rodrigo Janot, os irmãos Batista, e todo tipo de trairagem dos petistas que ainda lhe rodeiam, mas não teve pulso e macheza suficiente para dar uma limpada na área. Seu legado? A meu ver, vai ser o de “nunca deveria ter sido” seja la o que for, vice, presidente, candidato, etc…

Foto: Revista Veja

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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