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Oposição a Maduro ganha força e repressão do ditador venezuelano aumenta

Oposição a Maduro ganha força e repressão do ditador venezuelano aumenta
João Guilherme
João Guilherme
Estudante e interessado em política, história e religião.

Em meio à forte pressão, interna e externa, a violência da ditadura socialista da Venezuela ganha força.


Enquanto o líder da oposição, Juan Guaidó, angaria apoio de países importantes na região e no mundo, como o Brasil e os Estados Unidos, o ditador venezuelano recorre ao aumento na violência para permanecer no poder.

Após um incêndio em um centro cultural comandado por apoiadores de Nicolás Maduro, em Puerta Caracas, uma favela da capital, o ditador enviou forças especiais à região para reprimir a população local, que já demonstrava expectativas de melhora após manifestantes contra Maduro se instalarem na área.

O acontecido em Puerta Caras é parte da considerada maior e mais cruel repressão promovida por Maduro desde que chegou ao poder, em 2013. Na semana passada, operações semelhantes àquela em Puerta Caracas aconteceram em pelo menos outras cinco favelas que se voltaram contra a ditadura, resultando em 35 mortos, incluindo um garoto de 16 anos, e mais de 850 presos.

“Já não houve mais protestos”, disse a mãe de um homem de 26 anos que foi preso por oficiais da Inteligência. Recusando-se a contar seu nome por medo de represálias, ela disse que não tem notícias do filho desde quarta-feira. “Eu acho que ninguém mais vai ter coragem de protestar.”

O movimento para depor Maduro, liderado por Juan Guaidó e que conta com apoio internacional, é o maior desafio ao ditador venezuelano desde que ele assumiu o poder como sucessor de Hugo Chávez, há cerca de 6 anos. Mas, com o governo se sentindo cada vez mais ameaçado, ele também ficou mais agressivo.

Na terça-feira, o Procurador Geral da Venezuela pediu à Suprema Corte, defensora de Maduro, o congelamento das contas de Guaidó, além da proibição de sua saída do país, levando os EUA, que já havia imposto sanções à Venezuela, a avisar que ferir Guaidó levaria a “sérias consequências”.

No entanto, os maiores atos de violência estão sendo tomados contra a população do país. A temida Força de Ação Especial (FAES) da Polícia Nacional Bolivariana tem operado em bairros e favelas antes pró-Maduro.

Enquanto no passado os protestos eram feitos pelas pessoas de classe mais alta, agora, são os mais pobres que fazem as manifestações, levando ao surgimento de frases de efeito como: “Quando as favelas finalmente se levantarem, Maduro cairá”.

A crescente violência contra a população começou no final de 2017, quando, em protestos anti-Maduro, mais de 100 pessoas foram mortas. Agora, para muitos venezuelanos, resistir ao governo virou sinônimo de morte.

Ana Cecilia Colmenares, de 58 anos, conta que o filho dela, Yonny Godoy, 29, foi morto dois dias depois de protesta contra a ditadura. De acordo com ela, oficiais da FAES entraram na favela onde ele morava na última sexta. A porta da casa estava aberta e ele percebeu que os soldados estavam armados, conta Ana. Sem camisa e descalço, Godoy se rendeu e foi arrastado para fora enquanto as autoridades trancavam a mãe dele dentro de casa. Testemunhas contam que ele morreu com um tiro no abdomen.

“Ele pedia constantemente para não ser morto”, conta Marvelys Paredes, prima de Godoy. “Falava que seria pai em dois meses, que queria conhecer seu filho.” Ela conta que ainda é a favor dos protestos contra a ditadura. “Estamos casados de ser roubados, de passar fome, de ver pessoas morrendo pela falta de remédios.”

Este é apenas um dos casos em que a FAES invade favelas para reprimir a população que luta para derrubar Maduro. Abel Pernia, de 19 anos, e a cunhada de Lenis Blanco, 41, são exemplos de pessoas que poderiam ter sido vitimadas pelas forças de repressão. O primeiro, foi abordado na rua pela FAES e soldados chegaram a apontar uma arma para a cabeça de sua namorada quando ela tentou intervir.

Já a cunhada de Lenis Blanco teve mais sorte. Na quinta-feira da semana passada, oficiais da FAES invadiram a casa dela. “Homens armados bateram na porta e, quando ninguém, respondeu, eles invadiram. Graças a Deus a casa estava vazia porque ela deixou o país”, conta. “Eu não vou deixar minha casa, embora tenha medo da FAES.”

Traduzido e adaptado do Washington Post.

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