Os fundamentos de Mao: China treina os comunistas do futuro

As aulas ideológicas fazem parte do currículo universitário na China, mas elas são mais importantes do que nunca para o Partido Comunista – mesmo que muitos estudantes digam que são propaganda entorpecente.

“Aprendemos que a democracia não pode durar muito aqui”, disse o estudante de arquitetura Zhang Tingkai, 19 anos, descrevendo a agitação da Revolução Cultural promovida por Mao.

“É algo que pode facilmente degringolar em populismo”, disse o estudante de engenharia Mao Quanwu, 20 anos, “como o que está ocorrendo em Taiwan”.

A uniformidade das opiniões teria agradado líderes do Partido Comunista, que costumam alertar para os perigos do liberalismo ao estilo ocidental.

Mas os desafios enfrentados pelo partido na tentativa de inspirar uma nova geração de comunistas são claros. Ainda que os estudantes elogiem publicamente os cursos ideológicos desse tipo, no âmbito privado muitos descrevem as aulas como tediosas e irrelevantes sessões de propaganda, participando a contragosto.

Os cursos (alguns já existem há décadas) se tornaram mais importantes do que nunca para o presidente Xi Jinping e o partido.

Ainda que a ênfase em Mao evoque períodos turbulentos da história chinesa, muitos no país ainda enxergam o ex-líder como herói. Elementos de sua filosofia, como a suspeita diante de ideias estrangeiras e a defesa de um poder centralizado, ajudam a legitimar a pauta de Xi.

Assim, pressionados por Xi, os professores estão trabalhando para tornar as aulas ideológicas mais relevantes para os estudantes, recorrendo ao humor e referências à cultura popular.

Os estudantes precisam agora concluir cinco cursos para a formatura, incluindo um curso de marxismo, um curso de moral, um curso de história chinesa moderna, e um “ensino político e situacional”, exploração de temas modernos como a disputa territorial no Mar do Sul da China e políticas ligadas a minorias étnicas.

O governo de Xi repreendeu universidades, entre elas a Tsinghua, onde ele se formou, denunciando-as como demasiadamente relaxadas, e o governo enviou inspetores para combater as críticas ao Partido Comunista nos campi.

 

Com informações do Estadão
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia