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Óscar Pérez se rebelou por ligações da ditadura com o narcotráfico

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O jornal americano The New York Times publicou, nesta segunda-feira (22/01), uma entrevista com o piloto Óscar Pérez, executado na semana passada por membros da Guarda Bolivariana da ditadura chavista.

Na entrevista, o ex-policial atribuiu sua decisão de se rebelar contra o ditador Nicolás Maduro depois de testemunhar a conivência da ditadura com o narcotráfico na Venezuela.

De acordo com informações do Estadão:

Pérez foi policial por 15 anos. Em 2015, no entanto, participou de um filme local, chamado de “Morte Suspensa”, no qual interpretou um investigador que liberta empresários de sequestradores. Segundo ele, a decisão de entrar no mundo do cinema partiu de uma operação policial da qual ele participou em Caracas, na qual ele presenciou o poder da televisão sobre a população mais pobre.

O piloto lembra que o motivo que o levou a rebelar-se contra Maduro foi a corrupção na polícia, principalmente depois de grupos chavistas armados, os coletivos, passaram a cooperar com policiais corruptos. Investigações sobre tráfico de drogas passaram a ser bloqueadas, especialmente sobre grandes carregamentos de cocaína, segundo Pérez.

Entre os oficiais envolvidos com o narcotráfico, sempre de acordo com a narrativa do piloto, está Nestor Reverol, o ministro do Interior que anunciou sua morte na TV estatal. Reverol foi indiciado por narcotráfico nos Estados Unidos.

Óscar Pérez concedeu a entrevista ao jornal norte-americano no começo de janeiro através de um aplicativo de mensagens criptografado:

Eu luto pela liberdade do país e por um futuro melhor. O que eu menos temo é a morte, temo apenas o fracasso. Queríamos encher as ruas com grandes manifestações e que as pessoas percebessem que começamos um movimento, mas isso infelizmente não ocorreu.

Mesmo com o cerco se fechando contra ele, Pérez acreditava que conseguiria escapar das autoridades chavistas:

Estamos sempre a um passo à frente deles, graças a ajuda que temos tido e a minhas fontes dentro das instituições.

Sua última mensagem para o jornal, antes de sua morte, combinava a próxima conversa:

Ótimo, eu aviso vocês.

No dia seguinte, ele foi fuzilado por capangas do ditador chavista Nicolás Maduro.

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