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Pacientes paraplégicos voltam a andar depois de implante

Pacientes paraplégicos voltam a andar depois de implante
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

Três pacientes paraplégicos conseguiram voltar a andar graças a um implante que estimula a medula espinhal com impulsos elétricos.

Os dois artigos sobre o estudo, desenvolvido no Centro Hospitalar de Lausanne, na Suíça, foram publicados nesta quinta-feira (1°) na revista científica Nature.

Os impulsos são produzidos por um implante posicionado sobre a espinha, cuidadosamente alinhado a áreas que controlam os músculos na parte inferior do corpo. Eles ativam os músculos individuais em sequência, da mesma forma como o cérebro faz.

A RFI entrevistou a neurocirurgiã Jocelyne Bloch, que colocou os implantes nos pacientes.

Segundo a neurocirurgiã, os três deles têm uma lesão na medula situada aproximadamente no meio das costas, mas o cérebro, as pernas e a parte de baixo da medula continuaram intactos depois do acidente.

A médica explica:

O que fizemos foi estimular eletricamente a parte inferior da medula espinhal, embaixo da lesão, para favorecer a atividade muscular usada para andar. Significa que o cérebro continua enviando ordens para as pernas caminharem, mas infelizmente não há fibras musculares suficientes para que o paciente possa dar os passos. Mas quando ele recebe um estímulo elétrico, facilitamos esse processo.

Uma das grandes novidades da pesquisa é que dois dos pacientes não precisam mais desse estímulo para caminhar, mesmo que seja por curtas distâncias.

Jocelyne Bloch afirmou:

Conseguimos imitar, da melhor possível, os movimentos naturais. O estímulo da medula espinhal já existia para quem tinha sofrido uma lesão, mas de forma contínua, o que não facilitava a ativação dos músculos um após o outro.

E acrescentou:

Agora compreendemos o mecanismo das conexões nervosas que possibilitam a caminhada e tentamos imitá-lo, usando esses estímulos elétricos, que vão ativar toda a cadeia muscular envolvida no movimento. A diferença em relação aos métodos anteriores é que, treinando os pacientes paralisados dessa maneira, percebemos, depois de algumas semanas, e intenso treinamento, que eles recuperavam uma função muscular perdida.

Os pacientes ainda precisam de muletas ou andadores.

 

Adaptado da fonte RFI

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