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Países árabes irritados com posição pró-Israel do governo Trump

US President Donald Trump (L) arrives at the Israel Museum to speak in Jerusalem on May 23, 2017, accompanied by Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu. / AFP PHOTO / MANDEL NGAN        (Photo credit should read MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)

Enquanto o governo dos Estados Unidos trata com ambiguidade o conflito palestino-israelense, o presidente do país, Donald Trump, mostra uma posição pró-Israel que vem incomodando os países árabes.

Em uma época em que são comemorados o 25º e o 40º aniversários dos acordos de Oslo e de Camp David, respectivamente, o governo americano mantém no limbo o chamado “pacto do século”, com o qual Donald Trump pretende resolver um conflito de décadas, mas cujos termos exatos são desconhecidos.

Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca disse à Agência Efe que “o plano de paz começa com a realidade”.

“(O plano) reconhece a história do conflito, mas evita depender de noções esgotadas do que deveria ser (a solução), e em vez disso está focado no que poderia ser”, afirmou.

“Não é uma folha de termos de duas páginas, mas um documento extenso que explica como a equipe de paz (dos EUA) pensa que o conflito deveria ser resolvido”, ressaltou a fonte.

Após consultas com israelenses, palestinos, líderes regionais e outros interlocutores, ainda segundo o porta-voz, o governo Trump traçou um plano que considera “realista, justo, e igualmente importante e aplicável”, com o qual as partes “ganharão mais do que darão”.

Apesar da falta de detalhes, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, revelou recentemente que a equipe americana tinha lhe sugerido uma iniciativa baseada em uma confederação jordaniano-palestina, e que ele respondeu que aceitaria, mas só se Israel fizesse parte dela.

O correspondente do jornal palestino “Al Quds” em Washington, Said Arikat, disse à Efe duvidar que a ideia de confederação possa ser aceita pelas autoridades israelenses, já que, em 19 de julho, Israel aprovou uma lei que garantia seu caráter como Estado nacional dos judeus.

Quem também se mostrou crítico em relação à postura do atual governo americano foi o ex-embaixador dos Estados Unidos em Israel (de 2001 a 2005) e no Egito (1997 a 2001), Daniel C. Kurtzer.

“Acredito que as pessoas deste governo que trabalham neste assunto não leram ou entenderam a história”, destacou Kurtzer, destacando ainda que os atuais negociadores dos EUA consideram que a clássica solução de dois Estados, um palestino e outro israelense, não é de interesse nem de Israel, nem de Washington.

Arikat opinou que Washington “adotou a visão israelense do conflito, deixando de fora a solução de dois Estados, e além disso reconheceu Jerusalém como capital de Israel”.

“Este governo se alinhou completamente com a posição do Israel e do Likud (o partido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu)”, frisou Arikat.

 

Adaptado da fonte EFE

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