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Perito diz que áudio de Dallagnol pode ter sido manipulado

Perito diz que áudio de Dallagnol pode ter sido manipulado
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

“A coisa mais fácil do mundo seria cortar pedaços de uma conversa e inserir na outra”, afirmou perito sobre gravação divulgada pelo Intercept.

O perito Ricardo Molina falou sobre a gravação divulgada pelo site panfletário Intercept atribuída ao procurador da República, Deltan Dallagnol, um dos principais integrantes da Operação Lava Jato.

Molina disse que não faria uma perícia na gravação compartilhada pelo militante norte-americano Glenn Greenwald.

O perito justificou afirmando que o áudio não foi apresentado no mesmo formato digital com que saiu do aplicativo de mensagens Telegram ao ser publicado na plataforma digital YouTube.

Em conversa com o site O Antagonista, nesta sexta-feira (12), Molina explicou:

“Nesse momento em que coloca no YouTube, você já altera o formato da gravação. Porque o YouTube faz um upload conforme o critério de formatação e compactação deles. Não tem como você controlar isso. Essa gravação, para ter algum valor pericial, teria que ser apresentada tal como ela saiu do Telegram, do WhatsApp ou qualquer aplicativo da qual tenha sido retirada.”

O profissional acrescenta que o áudio é facilmente editável, sem que no resultado fosse possível perceber ou detectar quebra de continuidade no som:

“Se não tiver contexto, vai ficar complicado saber se aquilo não é composto, por exemplo, de pedaços de outras conversas. Porque o nível de ruído de fundo é tão baixo, que a coisa mais fácil do mundo seria cortar pedaços de uma conversa e inserir na outra.”

Molina acrescentou:

“Você consegue fazer emendas, pegar trechos de uma gravação e colocar o que você quiser, principalmente se você tem um material muito grande. Não estou dizendo que foi feito, estou dizendo que é fácil tecnicamente. E seria praticamente indetectável.”

E completou:

“Por isso que trabalhar pericialmente com esse tipo de material é uma aventura que você vê que até agora nenhum perito se dispôs a fazer. É uma aventura temerária.”

Durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quinta-feira (11), o editor e cofundador do Intercept desafiou as autoridades do Brasil ao garantir que não entregará o material para a perícia:

“Nós não entregamos e nunca vamos entregar nossa material jornalístico para a polícia ou tribunais porque isso é uma coisa que acontece em países autoritários, tiranias, e não democracias. O que nós fizemos, como profissionais, nós verificamos com muita cautela que o material é totalmente autêntico.”

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