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Pesquisador holandês está recriando os odores da Europa medieval

Pesquisador holandês está recriando os odores da Europa medieval
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“Por vezes, objetos retêm os cheiros do passado”, diz pesquisador holandês.

Canais poluídos e espaços compartilhados por centenas de humanos e animais eram cenas comuns na Europa da Era Medieval.  

Quem vivia no Velho Continente séculos atrás, com certeza, precisava conviver com cheiros pouco agradáveis. 

Para vencer os odores, aqueles que viviam em melhores condições utilizam fragrâncias elaboradíssimas, alguns chegavam a usar pós perfumados em suas perucas. 

Agora, o pesquisador Inger Leemans, da Academia Holandesa de Artes e Ciências, pretende recriar aromas característicos do continente entre os séculos 16 e 20.  

Junto de uma equipe dedicada, Leemans coordena o projeto Odeuropa

Em conversa com a revista Super Interessante, o pesquisador holandês disse que pretende alcançar seu objetivo “com a ajuda de inteligência artificial”: 

“Vamos ensinar um software a detectar, em documentos antigos, pinturas e imagens, termos e expressões que descrevam os cheiros. Depois, vamos extrair as emoções, eventos, lugares e rituais que são associados aos odores.” 

Leemans acrescentou: 

“Queremos combinar as informações obtidas pela IA com bancos de dados sobre química para criar uma biblioteca em que as descrições dos cheiros fiquem armazenadas em formato digital. Além disso, vamos desenvolver ferramentas baseadas em IA que ajudarão os usuários a pesquisar e comparar diferentes cheiros.” 

O cientista disse ainda que pode garantir que o cheiro recriado é o mesmo do passado: 

“Por vezes, objetos retêm os cheiros do passado, como frascos de perfume e caixas de tabaco. Esses odores podem ser extraídos e analisados a partir de técnicas químicas apropriadas. Podemos desconstruir um cheiro e descrever seus compostos aromáticos, reconstruindo-o fielmente depois para apresentá-lo em museus.” 

Inger Leemans completou: 

“Mas, quando essa reconstrução não é possível, podemos interpretar um cheiro e sintetizar um aroma que evoque emoções semelhantes ao original.” 

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