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África do Sul ignora genocídio de fazendeiros brancos

Este é, talvez, o momento mais polarizado do mundo desde a Guerra Fria.

Não temos Estados Unidos vs União Soviética ou um risco iminente de ter mísseis voando sobre nossas cabeças a qualquer instante, mas quase todo mundo sabe, ainda que sem saber o porquê, se é de direita ou de esquerda.

As ideologias, no sentido de saber o que defender, são de importância inegável para guiar pensamentos e formar opiniões. Porém, como até água de mais faz mal, com o exagero na ideologia não seria diferente.

A hiperidealização do mundo tem se mostrado extremamente comum nesses tempos polarização. O termo, que o próprio dicionário do computador não reconhece, não é muito difícil de conceituar, mas eu quero apontar que farei uso dele em sentido mais amplo: não só como uma grande expectativa de algo de realização incerta, gostaria de acrescentar que hiperidealizar algo significa, às vezes, nem saber o que se busca, mas fechar os olhos para todas as outras opções e dar um tiro no escuro.

Olhando por essa ótica, espera-se que seja algo mais presente em jovens, que buscam inspiração em tudo que veem e não sabem para onde ir, no entanto o cenário tem se mostrado um pouco diferente. Cada vez mais adultos formados – pelo menos externamente – hiperidealizam aquilo que acreditam e se fecham para o resto do mundo. Nas palavras de uma ex-BBB, “haja o que hajar”.

A tentativa do PT de fazer Lula ser candidato nas eleições presidenciais de 2018 ou a da ala PSTU do Partido Democrata dos EUA de conseguir o impeachment de Donald Trump são alguns exemplos do que ela pode causar em adultos, mas são até menos graves do que eu quero focar.

A África do Sul passa por diversas crises raciais desde pelo menos 1950. O apartheid, política de segregação racial que foi adotada no país, durou pouco menos de 50 anos, com a ascensão de Nelson Mandela ao poder. Neste período, era comum ver crimes hediondos, como assassinatos, sendo justificados apenas pela questão racial.

Porém, de 1994 pra cá, o país, que chegou até a sediar uma Copa do Mundo, vivia um momento de paz – ou de trégua, se couber melhor. Mesmo que houvesse diferenciação, os crimes raciais não eram tão comuns e não eram mais justificados, brancos e negros passaram a conseguir frequentar os mesmos espaços, etc.

Entretanto, ainda que Mandela tenha conseguido o inimaginável, atitudes tomadas por trás dos panos pelo mito sul-africano são exemplos e ajudam a fomentar a crise que o país vive hoje. O que era para ser uma transição saudável com equiparação de direitos entre brancos e negros, foi transformada por ele e seus seguidores – todos os presidentes de 1994 pra cá foram do partido de Mandela – em um mau governo que mascarou benefícios aos negros em detrimento dos brancos. Ou melhor, a igualdade, sonhada por Luther King Jr., caminhava para se tornar uma supremacia, pretendida por Malcom X. E isso fez com que a questão racial voltasse à tona, mas tendo dado uma volta de 180 graus.

Agora, são os negros que atacam os brancos, principalmente os fazendeiros, sob a desculpa de “reforma agrária”, ou de compensação, o que aqui é conhecido como “dívida histórica”.

Não foi possível encontrar dados separados por etnia quanto à divisão de terras no país, mas de 1994 pra cá mais de 17 milhões de hectares foram tirados de fazendeiros brancos com essa desculpa. Mesmo assim, um porta-voz do South African Institute of Race Relations diz que “90% das fazendas que foram entregues a fazendeiros negros pelo governo não têm produção”, enquanto, ainda segundo ele, quase a totalidade dos alimentos consumidos no país são produzidos por fazendeiros.

Isto não fosse o bastante, o presidente – que, para não esquecer, é do ANC, partido de Mandela – propôs, em fevereiro, uma “reforma agrária sem compensação”, ou seja, as terras de fazendeiros brancos serão redistribuídas para os negros e os donos originais nada receberão por isso.

Contra isso, Donald Trump publicou um tuíte falando que está atento ao que está acontecendo no país, inclusive o genocídio de fazendeiros brancos, fazendo alusão à estatística que mostra que, em apenas um ano, 74 foram mortos e mais de 600 fazendas foram invadidas.

O governo da África do Sul, contrariando a opinião de especialistas, que dizem que o país pode virar um “Zimbábue 2.0” se esta reforma for cumprida, alegou, também em um tweet, que a intenção do presidente americano é “dividir o país”.

Artigo do colaborador João Guilherme

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia

João Guilherme

João Guilherme

Estudante e interessado em política, história e religião.

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