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Procurador alega ter conversado com hacker da Lava Jato

Procurador alega ter conversado com hacker da Lava Jato
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

“Eu não tenho ideologias, não tenho partidos, não tenho lado, sou apenas um funcionário de TI (tecnologia da informação)”, escreveu o hacker, segundo relato do procurador.

O procurador regional José Robalinho Cavalcanti trocou mensagens, na noite de terça-feira (11), com uma pessoa que disse ser o hacker que, nas últimas semanas, vem atacando os membros da Operação Lava Jato.

Robalinho, que é candidato à lista tríplice para ser o novo procurador-geral da República, recebeu uma mensagem no aplicativo Telegram — por volta das 23h — como se fosse do procurador militar Marcelo Weitzel. Na verdade, segundo ele, tudo não passou de uma armadilha do cibercriminoso.

“Eu não percebi na hora, mas depois vi que era uma armadilha, uma armadilha para que eu falasse mal da Lava Jato”, disse o procurador em conversa com site O Antagonista.

O hacker enviou para Robalinho um áudio trocado entre procuradores da Lava Jato, dizendo que aquele conteúdo em breve sairia na imprensa e mostrando espanto com o teor.

Robalinho não percebeu que se tratava da ação de um cibercriminoso, ouviu o áudio e respondeu a mensagem analisando tecnicamente o teor do conteúdo enviado:

“Ele disse que tinha conseguido um áudio vazado e queria minha opinião. Eu ouvi o áudio e, ainda sem perceber que era uma armadilha, disse que não tinha visto nada demais no áudio. Depois, ele se revelou como hacker. Era uma armadilha, queriam que eu falasse mal da Lava Jato como ex-presidente da ANPR [Associação Nacional dos Procuradores da República] e candidato a procurador-geral da República.”

Segundo a revista Época, depois de diversas tentativas frustradas do hacker em colher opiniões críticas de Robalinho sobre a Lava Jato em Curitiba, deu-se o seguinte diálogo:

“Um abraço do hacker”, escreveu o falso Marcelo Weitzel.

“Valeu, Marcelo”, respondeu Robalinho, acreditando que era uma brincadeira de Weitzel.

“kkkkk”, riu o hacker, completando: “Não sou o Marcelo. Sou o hacker. Quer falar comigo?”, perguntou.

“Eu não tenho ideologias, não tenho partidos, não tenho lado, sou apenas um funcionário de TI (tecnologia da informação)”, escreveu o hacker.

“Tive acesso a tudo”, acrescentou ele, sem revelar o que seria o “tudo”.

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