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Professor critica checagem da agência Aos Fatos sobre urnas eletrônicas

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O professor Diego Freitas Aranha coordenou uma equipe de profissionais da Unicamp num teste de segurança promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início deste ano.

A missão da equipe foi alcançada com sucesso após os profissionais conseguirem encontrar falhas no sistema de votação eletrônica adotado no Brasil.

Em audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, no dia 6 de março, Diego Aranha confirmou as vulnerabilidades encontradas:

No último dia de testes tivemos progressos. Conseguimos, por exemplo, alterar mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna para fazer propaganda a um certo candidato. Também fizemos progresso na direção de desviar voto de um candidato para outro, mas não tivemos tempo de testar esse tipo de ataque.

Segundo o professor, o resultado não foi surpresa, visto que todo software é potencialmente vulnerável.

Por isso, ele apontou ser importante o registro físico do voto para que a escolha do eleitor fosse resguardada de outra forma. Infelizmente, o Supremo rejeitou o projeto do voto impresso para as eleições de 2018, gerando muita revolta, inclusive levando Diego Aranha a deixar o Brasil.

Acontece que, nesta segunda-feira (23), a agência de fact-checking Aos Fatos decidiu publicar uma checagem sobre uma matéria do jornal independente Notícias Brasil Online intitulada “Hackers Invadem As Urnas Eletrônicas Mas TSE Insiste Que São Seguras. Você Confia?“.

Na parte inicial da checagem intitulada “Urnas não foram hackeadas; site reproduz artigo com dados falsos” e publicada no site da agência Aos Fatos, o jornalista Bernardo Moura afirmou:

Alardeada no título, a invasão hacker foi negada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e também não está explicitada no próprio texto denunciado. O restante da postagem é a reprodução de artigo que circula nas redes sociais ao menos desde 2013, cuja autoria é atribuída a um membro do AnonySocial, uma rede social do grupo hacker Anonymous. Nele, são enumeradas possíveis falhas de segurança da urna. No entanto, as informações ali contidas são antigas — algumas extraídas de um relatório de 2010 do Comitê Multidisciplinar Independente, entidade crítica do sistema de votação eletrônica —, distorcidas ou falsas.

O professor Diego Aranha não ficou satisfeito com a análise do Aos Fatos e questionou através do seu perfil pessoal no Twitter:

Após a checagem da agência ser criticada por outro usuário, Tai Nalon, diretora do Aos Fatos, tentou justificar a publicação da matéria.

Diego Aranha parece não ter ficado muito satisfeito com as justificativas de Tai Nalon:

‘Sendo absolutamente sincero, a notícia sensacionalista do portal claramente de fake news está mais acurada do que a checagem que vocês fizeram. A nota ajudaria se a checagem não entrasse em contradição, ao adotar incondicionalmente a versão do TSE como oficial’, afirmou o professor.

E questionou se a matéria do portal Tec Mundo sobre uma situação semelhante nos Estados Unidos também deveria ser considerada notícia falsa?

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