Projeto de Macron contra fake news gera denúncias de censura

A França é mais um país em busca de avançar legislação contra as notícias falsas, mas os opositores dizem que a lei não vai funcionar e pode até ser usada para silenciar os críticos.

O projeto de lei, criado para impedir o que o governo chama de “manipulação da informação” no período que antecede as eleições, será debatido no Parlamento na quinta-feira (7), com o objetivo de ser colocado em ação durante as eleições parlamentares do próximo ano.

A ideia do projeto veio diretamente do presidente Emmanuel Macron, que durante sua campanha de 2017 diz ter sido alvo de rumores na internet sobre sua sexualidade e uma suposta conta bancária secreta nas Bahamas.

Segundo a nova legislação, as autoridades francesas teriam poder para suspender imediatamente a publicação de informações consideradas “falsas” antes das eleições. As gigantes tecnológicas teriam que introduzir medidas restritivas para conter a propagação de certas informações.

O projeto de lei também autorizara o Estado a tirar as emissoras estrangeiras do ar se elas estiverem tentando desestabilizar a França – uma medida aparentemente voltada para a empresa de TV estatal russa RT.

Alguns opositores temem que as autoridades francesas possam usar os poderes da nova lei para bloquear notícias embaraçosas ou comprometedoras.

“É um passo em direção à censura”, disse Vincent Lanier, chefe do sindicato nacional de jornalistas da França, o SNJ. Ele rotulou o projeto como “ineficiente e potencialmente perigoso”.

 

Traduzida e adaptada de Yahoo
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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