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Protestos elevam pressão sobre governo Ortega na Nicarágua

Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia.

Manifestantes continuam nas ruas mesmo após presidente desistir da reforma da previdência. Pela primeira vez em 11 anos de governo, Ortega e Murillo, sua esposa e vice-presidente, se veem confrontados com pedidos de renúncia.


O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, foi forçado a anunciar revogação da sua controversa reforma da previdência social no domingo (23) após amplos protestos desde 18 de abril, nos quais morreram 27 pessoas e mais de cem ficaram feridas.

No entanto, pelo que parece, o recuo do presidente não diminuiu o ímpeto dos manifestantes. Na segunda-feira (24), milhares de pessoas saíram às ruas em Manágua e outras cidades para pedir, pacificamente, a renúncia de Ortega e de sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, que foram acusados de repressão e violação dos direitos humanos em seus 11 anos à frente do país.

De acordo com informações da DW:

A inesperada brutalidade com que as forças de segurança investiram contra os nicaraguenses levou também à ruptura de diálogo entre o mandatário e o empresariado. A aliança do antigo guerrilheiro com os grupos econômicos mais poderosos do país, antes seus adversários, é um dos fatores que garantiram sua prolongada permanência no poder.

Analistas afirmam que os protestos são um ponto de inflexão na história recente da Nicarágua e, muito mais do que a fracassada reforma da previdência, eles refletem também outros problemas graves do país, como a escassez de petróleo venezuelano, que era uma garantia de funcionamento para o país da América Central.

Por falar em Venezuela, o governo da Nicarágua é um dos poucos aliados da ditadura de Nicolás Maduro na América Latina. O próprio Maduro declarou que seu parceiro estava sendo alvo de uma ‘emboscada’.

O jornal Estadão também publicou matéria sobre a alta instabilidade atual enfrentada pelo governo da Nicarágua.

Os estudantes que desde o dia 18 ocupam as ruas questionam a rigidez do governo. Ortega e Rosario mantêm controle sobre todas as instituições do Estado: Exército, polícia, Congresso e tribunal eleitoral. Seus antigos aliados o acusam de minar os ideais sandinistas, de autoritarismo e nepotismo – seus oito filhos são donos ou diretores de estatais e alguns ocupam cargos públicos.

“Na década de 80, Ortega era parte de um projeto de mudança revolucionária, agora é um capitalista amante do poder, dedicado a aumentar seus privilégios, sua fortuna”, disse a ex-guerrilheira Mónica Baltodano, que deixou a FSLN em 2000. “Ele defende o poder com os mesmos métodos da ditadura de Somoza.”

Os aliados descrevem Ortega como um homem pragmático e político hábil, protegido por líderes da esquerda latino-americana, como Nicolás Maduro, Raúl Castro e Evo Morales. Sua imagem, porém, vem se deteriorando desde as acusações de abuso sexual, feitas em 1998 por sua enteada, Zoila América, atualmente exilada na Costa Rica.

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