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PT envolvido em esquema de propaganda irregular na internet

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Ficamos sabendo neste domingo (26) sobre o primeiro caso de suspeita de propaganda eleitoral ilegal na internet neste ano.

O caso foi descoberto por causa de uma sequência de comentários disparados por “influenciadores digitais” de viés esquerdista pedindo voto para o governador do Piauí, Wellington Dias, candidato à reeleição pelo PT.

As mensagens de apoio teriam sido pagas. Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editada no final do ano passado proibiu propaganda paga nas redes na campanha de 2018.

“Pagar por comentários favoráveis a candidatos configura propaganda irregular. A punição é multa de até R$ 30 mil”, segundo um ex-ministro do TSE ouvido pelo jornal O Globo.

Quem primeiro denunciou o caso foi a usuária @pppholanda. Ela participava de um grupo, arregimentado por uma empresa, que recebia dinheiro para postar conteúdos “de esquerda”. Mas não concordou com a defesa apenas de candidatos petistas.

“O combinado foi manter sigilo sobre a ação. mas o combinado também foi que a ação seria de esquerda, não uma ação partidária”, declarou a usuária. “Eu me recusei a twittar sobre o wellington dias. não tenho nenhuma ligação com o piauí e não o conheço.”

Após receber orientações para escrever mensagens elogiosas a Gleisi Hoffmann, Luiz Marinho e Wellington Dias, ela resolveu romper com o grupo.

Com 45,3 mil seguidores, a usuária “Juliane com e de Exu” (@exuliane) usou as informações repassadas pelo recrutadores para elogiar Wellignton Dias. Depois que o assunto viralizou, ela desistiu de participar e se disse arrependida de ter publicado um post elogioso ao petista.

‘Uma agência contratou influenciadores para uma ação de esquerda onde havia pautas progressistas como LBGT mulheres. Acontece que virou partidária no meio do caminho. Agora tão caindo matando nos influenciadores’, escreveu a usuária.

O perfil nomeado Central Feminista também pediu desculpas aos seus seguidores por ter participado do esquema ilegal de propaganda partidária.

Você pode encontrar centenas de prints de mensagens de usuários que supostamente fizeram parte do esquema clicando AQUI. É possível verificar claramente as pautas que foram enviadas diariamente para os influenciadores.

O site da Lajoy, uma das agências envolvidas com a ação petista, foi retirado do ar ainda no domingo (26). Segundo o jornalista Diego Escosteguy, “alguns dos envolvidos no caso da publicidade eleitoral oculta do PT estão apagando os rastros digitais”.

Em seu perfil no Twitter, Diego também publicou um resumo sobre as informações obtidas por ele até o momento. Renova Mídia reproduz logo abaixo.

1) Após depoimento de uma influenciadora digital, descobriu-se ontem que uma agência de nome Follow organizava publicidade digital paga – e secreta – em favor de candidatos do PT: Gleisi Hoffmann, Luiz Marinho e Wellington Dias. Esse tipo de ação é ilegal, segundo súmula do TSE.

2) O depoimento da influenciadora foi corroborado pelo depoimento de outros influenciadores. Nas redes sociais, eles admitiram ter sido procurados por representantes da Follow e da Lajoy. Alguns admitiram ter participado da ação secreta. Ao menos um deles admitiu ter recebido.

3) Em emails a que tive acesso e cuja integridade pude verificar digitalmente, representantes da Lajoy diziam agir em nome da Follow – indicando ser subcontratados dela. Também frisavam que a ação era paga e precisava permanecer em sigilo.Também mencionavam a “esquerda política”.

4)  Nos contatos por email e WhatsApp, esses intermediários ofereciam aos influenciadores a possibilidade de ganhar até R$ 2 mil por mês para falar de temas caros a eles e à esquerda. Não esclareciam de onde viria o dinheiro.

5)  Conforme documentos no Google, havia um briefing diário, no qual se orientava os influenciadores. Cada dia era dia de um tema ou candidato diferente. Sempre, claro, em defesa do PT. Muitos influenciadores postavam o que estava no briefing.

6) Paralela a essa ação direta com os influenciadores, a Follow, a mesma que, segundo os emails, subcontrata a Lajoy, pedia participação no app “Brasil feliz de novo”, associado ao PT. Esse aplicativo era (é) uma outra plataforma para ganhar dinheiro – não se sabe de qual origem.

7) Sob o disfarce de ser uma plataforma de notícias, o aplicativo paga em troca de conteúdo. Os donos do app entram com o dinheiro; os usuários, influenciadores ou não, com o conteúdo favorável ao PT. É uma troca clara, registrada em depoimentos de quem participou disso.

8) O app disfarça como “gamificação”, com missões, a divulgação de conteúdo favorável ao PT. E paga por isso. Trata-se de publicidade digital paga e, portanto, ilegal? Ao que tudo indica, sim, por meio de uma burla. Mas essa avaliação caberá ao Ministério Público Federal.

9) Esse app “Brasil feliz de novo” do PT é desenvolvido pela mesma empresa que desenvolveu o app “Follow Now”, pelo qual se podia receber pela postagem de conteúdo favorável ao partido. “Ativistas” faziam propaganda desse “Follow Now”.

10) Apesar do emaranhado de empresas, foi possível verificar que o endereço do app Follow Now é o mesmo da sede do CNPJ da Follow Análises Estratégicas. Tudo em Belo Horizonte. Um dos donos dessa empresa é o deputado mineiro Miguel Corrêa, do PT, candidato ao Senado.

11) Não se sabe, ainda, a extensão dessa ação coordenada por empresas associadas ao PT. Quantas pessoas participaram dela? Em benefício de quais candidatos? Qual o impacto eleitoral dessa ação?

12) Não se sabe, também, quem financiou essa ações – tanto a de abordagem direta, via influenciadores, quanto a de “ativistas”, pelo app “Follow Now” e “Brasil feliz de novo”. O PT bancou essas despesas? Contratou formalmente algum dos CNPJs desse emaranhado chamado Follow?

13) Caso o PT tenha bancado essas despesas, fez isso com dinheiro do fundo eleitoral? O partido pode comprovar os pagamentos? Quem, no PT, tinha conhecimento e quem deu ordem para essa grande ação digital pretensamente secreta? Quem sabia da operação com a Follow e a a Lajoy?

14) Trata-se de um caso relevante, que descortina as novas estratégias para influenciar os eleitores sem que eles saibam. Sabe-se, ao menos, que foi uma ação às escondidas. Não se sabe se foi a única – e nem se o PT é o único partido a fazer isso nesta campanha.

15) São por essas razões que se faz necessária a atuação do MPF e da Justiça Eleitoral. O uso potencialmente abusivo e ilegal de informações durante a campanha é uma das grandes preocupações das autoridades nas eleições de 2018. É preciso, portanto, investigar esse caso a fundo.

16) Por fim, ressalto que não terminei a apuração desse caso – um proverbial novelo, que pode puxar outros. Compartilharei com vocês o que descobrir. Se tiverem dicas desse e de outros casos, mandem para mim: [email protected] Muito obrigado.

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