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Quem está disputando as eleições em Israel este ano?


Boker tov!

Semana passada falamos de maneira geral sobre como funcionam as eleições em Israel, para introduzir o leitor nas informações básicas sobre o sistema eleitoral israelense.

É um sistema muito diferente do nosso no Brasil ou ainda de outros sistemas com os quais estejamos mais habituados (como é o caso das eleições nos EUA) e para entender a política de Israel, é importante saber antes como um israelense vota.

Uma vez habituados com essa sistemática eleitoral, podemos falar agora dos principais candidatos e seus respectivos partidos e saber, portanto, como um israelense é eleito.

Para tratar deles, entretanto, é necessário mais uma vez que façamos uma nova incursão pela história do Estado de Israel, o que farei em um texto mais longo que o habitual hoje.

No período de formação do Estado, ainda anterior ao Mandato Britânico e, portanto, anterior à 1ª Guerra Mundial, a região tinha um traçado cartográfico bem diferente do que conhecemos hoje. A então chamada de Palestina cobria um espaço que ia, ao norte, até a divisa do Líbano e nas colinas de Golã, ao sul até a divisa do Sinai e ao leste se estendendo para além do Jordão até a divisa com a Síria mais ao norte e com a Arábia Saudita mais ao sul (perto da região de Ma’an, que fica na atual Jordânia) e o Iraque no extremo leste. Veja os mapas da época.

Foi nesse território estendido que a Palestina passou a ser o principal alvo do movimento sionista, cujo pioneiro na ideia de formação de um Estado Judaico foi Theodor Herzl em seu pequeno livro Der Judenstaat, de 1896.

Theodor Herzl

Tinha início ali um movimento de retorno (posteriormente consolidado na 1ª Lei Básica ou Lei Fundamental do Estado de Israel): um novo Êxodo dos judeus de todo o mundo para aquilo que começou a ser construído e conhecido como Lar Nacional Judaico. Esses movimentos de imigração financiados em parte por uma Agência Privada de Imigração tomou o nome de Aliyah, que quer dizer literalmente ascenção ou ascender (a mesma palavra, curiosamente, é usada para o cartão de embarque de vôos, os Ishur Aliyah, qual seja, confirmação de ascenção ou certidão de ascensão). Até hoje os processos de Aliyah são abertos para quem for elegível e muitos ainda o fazem, adotando o Estado de Israel como sua nação.

Naquele início, entretanto, a forma desenvolvida pelos pioneiros das primeiras Aliyah lançava mão de um conceito fortemente arraigado no trabalho com a terra. A aquisição de largas porções de terra para acomodar colonos, deu origem aos chamados kibutzim, uma espécie de sociedade agrícola cooperativa em que cada trabalhador, contribuindo com o seu suor, podia tirar o necessário para o seu sustento e, ao mesmo tempo, deixar um legado de desenvolvimento para a Nação, na terra e na Terra. Um segundo tipo de propriedade imóvel foram os moshav. A diferença básica entre um moshav e um kibutz é que aquele pertencia basicamente à Agência, que mais tarde incorporou-se ao Estado formado, enquanto que estes pertenciam a uma coletividade de pessoas ou a um particular que arrendava a terra para uma coletividade determinada.

Note como os elementos de exploração coletiva e a força do trabalho na terra foram fundamentais para ter-se início a um projeto de desenvolvimento do chamado Lar Nacional Judaico. Nascia ali um socialismo muito particular e especial – foi um tipo de socialismo sionista em que o objetivo principal daquele tipo de sociedade coletiva era atender aos intentos da Agência de Imigração e assegurar as Aliyah.

O mais interessante é que, tanto no período do Império Turco Otomano quanto após a sua queda, no período chamado de Mandato Britânico, não se falava de um Estado de Israel, qual seja, não havia ali uma Nação, mas sim uma Pátria, qual seja, um Lar Judaico (Bait Yehudi, em hebraico – guardem bem este nome, pois ele vai ser adotado mais tarde como o nome de um dos principais partidos de Israel na atualidade e que poderá de certa forma definir as eleições deste ano).

Até a Guerra da Independência, que deu início à formação do Estado de Israel, essa linha prática de como assegurar o retorno dos judeus tornou-se alvo de um intenso debate na vida política de Israel, nascendo ai as linhas políticas que iam se definir como esquerda ou direita.

Ainda no período anterior à Guerra da Independência, tanto os kibutzim quanto os moshavim careciam da formação de uma segurança particular.

Dois movimentos surgiram: a Haganá (termo em hebraico para “A Defesa”) e o Etzl ou Irgun (este, quer dizer “A Organização” e aquele, o acrônimo das letras hebraicas para IZL, abreviação de Israel). A Haganá era integralmente ligada ao movimento socialista e trabalhista e durante a formação do Estado de Israel, foi transformada nas IDF, as Israeli Defense Forces, ou Tzva Haganá l’Ysra’el.  Já o Irgun estava ligado a um movimento conservador liderado por Zev Jabotinsky. Esse movimento ficou conhecido como Revisionismo.

Quando ainda no período de formação do Estado de Israel (1945-1948), o movimento trabalhista era amplamente majoritário sob o comando de seu então líder, David Ben-Gurion.

Ben-Gurion foi portanto o pioneiro da esquerda israelense e permaneceu no poder desde a fundação do Estado de Israel até que o seu movimento político declinasse em fins dos anos 1970.

David Ben-Gurion

Por outro lado, um fiel seguidor de Jabotinsky, o membro do Irgun Menachen Begin abria discordâncias com David Ben-Gurion que marcariam para sempre o destino de uma das mais profundas divisões internas no Estado de Israel – a divisão entre trabalhistas e revisionistas.

Um fato ocorrido no início de 1948 iria ser decisivo: refiro-me ao Caso Altalena.

Begin, embarcado no Altalena, retornava da França com armamento pesado a fim de empregá-lo em atividades militares, sob sua liderança e no combate no front jordaniano, dentro da filosofia militar de ataque (de orientação tipicamente revisionista em oposição à Haganá, de linha tipicamente defensiva). Desconfortável com a situação de ver um Estado se formando com dois exércitos, Ben-Gurion, enquanto formava seu partido na inspiração de seus ideais de socialismo sionista, o Mapai assim exigia a total integração do Irgun à IDF.

Desentendimentos em relação à carga militar do Altalena levaram Ben-Gurion a uma batalha pessoal com Begin. Quando da chegada do Altalena a Israel, os desentendimentos levaram Ben-Gurion a determinar o bombardeio e afundamento do Altalena, com tripulação e carga. Begin conseguiu nadar até a costa e o que poderia se tornar uma guerra civil em meio aos conflitos pela Independência, foi imediatamente abafado em um cessar-fogo bélico, mas jamais político. A disputa pessoal entre Begin e Ben-Gurion tornava-se irreconciliável e iria sair da arena física para invadir, meses depois, o Knesset para sempre.

Deste evento e com o fim definitivo do Irgun, que depôs armas, nascia ali o principal partido de oposição, o Herut, por meio da articulação política entre ex-combatentes do Irgun. O Irgun foi rotulado muitas vezes na história como um grupo terrorista, muito em função do planejamento de um atentado contra soldados britânicos no período do Mandato, sobretudo aquele envolvendo o bombardeio do Hotel King David. Esse rótulo de organização terrorista nunca mais foi desfeito e o conflito pessoal entre Ben-Gurion, do Mapai e Begin do Herut, os dois principais partidos de Israel, marcou profundamente essa primeira fase de 30 anos da política de Israel.

O Mapai, sempre ligado a Central dos Trabalhadores de Israel, o Histadrut, o principal braço sindical de Israel até hoje (fundado igualmente por Ben-Gurion) dominou a política de Israel e as maiorias políticas que construiu nunca mais foram obtidas nos anos seguintes.

O Herut, que significa Liberdade em hebraico, foi o principal partido de oposição até as eleições de 1977, que formaram o 9º Knesset. Pouco antes, em 1973, logo após a Guerra do Yom Kippur e já sentindo o total desgaste interno e político do Mapai desde o fim da Guerra dos Seis Dias em 1967, por conta de um caso de corrupção muito grave conhecido como o Caso Lavon, Begin notou que se formasse uma coalização do Herut com outros partidos, o impossível poderia ocorrer – vencer o Mapai e derrotar David Ben-Gurion na arena política.

Após 30 anos no poder, diversos desgastes fizeram com que o maior fiel da balança eleitoral de Israel, os partidos religiosos sionistas, migrassem do Mapai e dos movimentos trabalhistas para o Herut. A união entre socialistas seculares e sionistas religiosos terminava ali. Essa migração dos religiosos para apoiar Begin levou o Herut e se unir com o Agudat Yisrael (que quer dizer “A Liga de Israel” ou “Associação de Israel”, o mais antigo partido israelense e ainda em atividade) e com o já extinto Mafdal (ou Partido Nacional Religioso). A União desses três partidos com mais outras pequenas agremiações deu origem a uma frente partidária de nome Likud, literalmente, A União.

Formado primeiramente como uma frente ampla, o Likud tornou-se um partido de direito apenas em 1988, para as eleições do 12º Knesset, vencidas por Yitzhak Shamir.

Já o Mapai, extinto em 1968 por força de corrupção e desgastes políticos (como sempre, a corrupção assombrando o socialismo…), obriga Ben-Gurion a ressuscitar o primeiro partido trabalhista, o HaAvoda (que havia sido incorporado no Mapai), na forma de uma frente ampla de partidos de esquerda para concorrer contra o Herut, que seguia crescendo a cada eleição. A estratégia chega a funcionar por 10 anos até as eleições de 1977, quando os partidos de esquerda formam o HaMa’arakh, ou “Alinhamento”.

Morria em 1977 aquele primeiro movimento socialista sionista idealizado por Ben-Gurion e a esquerda israelense, perdida e na busca de um realinhamento de seus princípios que lhe permitissem voltar ao cenário, consolida-se em torno do HaAvoda, mas agora na forma de um partido constituído.

Likud, Agudat Yisrael e HaAvoda existem até hoje e são peças importantíssimas nesta eleição de 2019.

O Likud é liderado por Benjamin Netanyahu, o HaAvoda por Avi Gabbay e o Agudat por Jakob Litzman.

Com o passar dos anos o HaAvoda foi sofrendo dissidências e seu último e mais importante momento no poder deu-se em 1992, quando a dupla Yitzhak Rabin e Shimon Peres voltaram a trabalhar juntos para negociar com Yasser Araft os famosos Acordos de Oslo. Ali nascia uma nova esquerda, completamente diferente daquela esquerda de Ben-Gurion.

A esquerda de Peres-Rabin mudou essencialmente a forma como viam o sionismo. A queda do Muro de Berlim e o fim da URSS, embora nada tenham influenciado na formação do socialismo israelense de matriz sionista enquanto situações vivas (refiro-me à URSS e á RPA), tiveram, por outro lado, forte influência na formação do neossocialismo de natureza identitária que perdura até hoje em Israel. Se antes era absolutamente impensável defender a propalada solução de “dois Estados”, com a defesa da criação de um Estado Palestino como forma mesmo de se afirmar o sionismo pela paz, foi nessa toada de adaptação do ideal do lumpenproletariat (típico das ramificações globais da Escola de Frankfurt, que em Israel foi se tornando cada vez mais profundamente secular) encarnado assim na figura do palestino ideal, que Rabin-Peres viram uma solução para essa esquerda sionista. Esse palestino-ideal não é palestino-real e é com base nessa imagem ideal que a esquerda vem fazendo política secular em total oposição aos partidos religiosos e à direita do Likud.

O Likud seguiu-se firme (como parece permanecer até hoje) na ideia de que o sionismo é incompatível com a ideia de “dois Estados”. Netanyahu, na sua gestão em 1996, com o fim de sufocar politicamente os Acordos de Oslo, incentiva que judeus se assentem terras dos Territórios Ocupados e gerem riquezas. Esse direito ao assentamento nas áreas ocupadas por Israel é um dos pontos-chave não só da política de Israel mas também de toda a questão envolvendo o conflito israelo-palestino.

A parte irônica é que na época de Ben-Gurion os socialistas eram tão radicais quanto os revisionistas na rejeição de uma solução “dois Estados”. Golda Meir, uma das mais influentes líderes trabalhistas e Primeira Ministra no 7º e 8º Knesset, tinha este pensamento:

“Durante as negociações com Nixon, Golda Meir apresentou o argumento de que já existiam dois Estados entre o Mar Mediterrâneo e as fronteiras do Iraque, no território que antes fora a Palestina. Esses Estados, disse Meir, eram Israel e Jordânia (a área original do Mandato Britânico incluíra o território do reino hashemita). ‘Não há lugar para um terceiro. Os palestinos têm de encontrar uma solução para seu problema com aquele país árabe, a Jordânia, porque um Estado palestino entre nós e a Jordânia só poderá se tornar uma base de onde será ainda mais fácil atacar e destruir Israel” (cf. GILBERT, 2010:478).

Golda Meir

É exatamente esse pensamento, que era antes uniforme tanto na direita quanto na esquerda, que muda com Peres-Rabin no interior da própria esquerda israelense.

As eleições nos anos 1980 são marcadas por alternâncias até o governo Peres-Rabin e a assinatura dos Acordos de Oslo, quando o assassinato de Rabin leva Israel novamente a dividir-se entre uma esquerda pró-Palestina (bem ao contrário do que pensavam Golda Meir, Moshe Dayan e David Ben-Gurion e outros líderes da antiga esquerda trabalhista) e uma direita pró-anexação dos chamados “Territórios Ocupados” (a saber, as área sob o domínio de Israel após a Guerra dos Seis Dias – Gaza, Golã e a margem Oeste do Jordão ou Cisjordânia, termo tão controverso quanto a situação de fato). Hoje, a ideia de anexação, tão natural até na esquerda de Ben-Gurion há 40 anos atrás, é rotulada como sendo de extrema-direita e com traços racistas. É, portanto, uma leitura de sionismo que vem sendo combatida de dentro para fora de Israel e neste 2019, os tais partidos de centro são os maiores defensores dessa ideia.

Note como isso passa a definir um dos aspectos da política de Israel e ao longo dos anos 1990, nova alternância é interrompida, mais uma vez, com casos de corrupção na esquerda envolvendo Ehud Barak (corrupção, sempre ela a assombrar o socialismo… – nesta situação pesquise sobre o Caso Deri).

No início dos anos 2000, Benjamin Netanyahu começa a se firmar como o político mais longevo do Estado de Israel, tendo na bagagem a administração de 1996-1999 e trazendo para junto de si sempre o apoio dos partidos religiosos Agudat (que em associação com outros partidos forma a frente chamada HaTorah ou Judaísmo Unido pela Torá, ou UTJ), o Shas (partido religioso sefaradí), além dos revisionistas Yisra’el Beiteinu (liderado por Avigdor Lieberman) e o já mencionado Bayit Yehudi, fundado de uma dissidência do Likud por um pupilo de Netanyahu, o jovem (hoje com 46 anos) Naftali Bennet.

Na esquerda, o HaAvoda sempre compunha com o Meretz (o partido verde e ambientalista) mas em situação insuficiente para voltar a ter relevância no cenário politico de Israel.

O HaAvoda foi sendo esvaziado e seus principais líderes, junto com membros do Likud que se mostraram surpresos com a falta de apoio a políticas de Ariel Sharon (que era do Likud, mas surpreendentemente alinhou-se ao compromisso de Oslo de uma solução de “dois Estados”), começaram a fundar partidos de centro à rodo, sendo o mais relevante até então o Kadima (“Avante” em hebraico).

O Kadima (atuante até hoje, mas já tão insignificante quanto o HaAvoda) define-se como sendo “de centro” com políticas econômicas “liberais” e conta em suas fileiras de fundadores tanto com nomes da velha direita (como Sharon e Ehud Olmert) quanto da velha esquerda (como Peres). Tzipi Livni figurava entre as líderes da força jovem, com origem no Likud.

Com o passar dos anos e após as inúmeras gestões de Netanyahu, esquerda e centro se enfraqueceram sobremaneira e novos partidos foram surgindo mês após mês nessa busca de espaço político entre judeus seculares, que formam 1/3 da população total de Israel. À esquerda ainda sobrevivem os hoje nanicos HaAvoda e Meretz, ao centro o Hatnuah de Livni (que já desistiu este ano antes mesmo de tentar eleições, após formar um partido seu às custas da implosão do Kadima), bem como o insignificante Kulanu e os fortes Yesh Atid (Futuro) e Hosen (Resiliência).

O Yesh Atid é o partido de uma estrela que estava em ascensão e já se encontra quase que totalmente apagada: Yiar Lapid. Já o Hosen, formado em dezembro de 2018, foi a chapa criada exclusivamente para receber o chefe das IDF, Benny Gantz, para que uma alternativa a Netanyahu fosse rapidamente fabricada. A união há semanas atrás desses dois partidos levou a criação do Azul-e-Branco (Kahol Lavan), um partido que se autointitula de centro, mas com número elevado de políticos ligados a movimentos de esquerda, como o velho Histadrut (a CUT de Israel). É sob esse manto Azul e Branco e tendo Lapid cedido o palco para Gantz, que o jogo eleitoral foi empatado semanas atrás. A eleição está completamente aberta.

Netanyahu, autor da política de expansão dos assentamentos judaicos nas áreas ocupadas como forma de reverter os Acordos de Oslo e afirmar um sionismo a moda antiga, parelha com Gantz, militar conhecido mas, como político, ainda uma incógnita, mesmo já tendo declarado a sua associação a uma política social-democrata e simpática ao peresismo dos anos 1990 e 2000 (inclinado para um sionismo de “dois Estado”, ou, como diria Meir, três…).

Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu

Esse é o jogo partidário que temos hoje com as respectivas figuras, explicadas aqui a partir de suas respectivas origens e laços de poder e dependência.

Embora as pesquisas indiquem um empate com ligeira vantagem para Gantz no confronto direto, vejo hoje larga vantagem para Netanyahu quando os religiosos entram na balança – não apenas a presença de todos os partidos religiosos ao seu lado, mas a aliança com o mais radical deles, o polêmico Otzama Yehudith (“Poder Judaico”), que associado ao Bayit Yehudi podem figurar com até 4 cadeiras no Knesset com um discurso anti-palestino de influência kahanista (remete ao Rabino Kahane, líder do extinto Kach, partido cassado pelo ativismo na Suprema Corte de Israel, que condenou a agremiação por achar que o discurso era excessivamente segregacionista e racista), certamente trará polêmica para o Knesset – sobretudo nos embates com os partidos árabes, que detém pouco mais de 10% do Knesset hoje. Sob o ponto de vista eleitoral, Netanyahu empurra Gantz para a esquerda e para o mais minado e perigoso campo da política israelense – os pequenos partidos árabes-palestinos: Ta’al, Hadash, Ha’am e o Balad.

Sem a esquerda e sem os partidos árabes, Gantz não consegue fechar a sua conta, ao passo que Netanyahu, só com os partidos religiosos, tem maiores chances de fechar a sua.

Um outro detalhe são as narrativas extra-partidárias.

Na semana que passou Gantz foi alvo de uma denúncia do Me too – acusado de abuso por uma senhora da sua idade, o candidato do Kahol Lavan teve suas memórias de adolescente no início dos anos 1970 literalmente desnudadas pela “ex-ficante indiscreta”, que fez posts embaraçosos em sua conta de Facebook.

Benny Gantz

No dia seguinte e na outra ponta do espectro político, o Procurador Geral, Manderblit, anunciou que muito provavelmente irá denunciar Netanyahu pelos casos de corrupção que é acusado de estar envolvido – todos eles envolvem a imprensa local. No próximo artigo eu conto do que se tratam.

O que importa é que tendo Netanyahu empurrado Gantz para a esquerda e para o centro, a própria esquerda enrustida, ao ver Manderblit sinalizar a possibilidade de ações judiciais contra Netanyahu, abriu seu coração para voltar as origens e, espertamente, provocou Netanyahu (ainda que involuntariamente) a gerar uma concentração dos votos da esquerda em Gantz. Há décadas que o eleitorado esquerdista anda tóxico em Israel, provando hoje do veneno que deu a Begin nos primeiros 30 anos de história do Estado.

Qual seja, mesmo sob as acusações, Netanyahu mais ganhou do que perdeu – a fala de Manderblit moveu seu eleitorado mais para a direita e partidos religiosos subiram (sobretudo a União da Direita, que conta com Otzma e Bayit, que dobraram nas intenções de voto e o Shas, que cresceu 50%). Gantz, isoladamente, foi que mais ganhou, mas estranhamente, ao tirar votos da esquerda para si e ver o Likud perder pouco mas ganhar muito em seus satélites coligados, o resultado final hoje seria totalmente favorável ao Likud, que fecharia a sua maioria em cima da pinta.

Caso as denúncias de Manderblit inabilitem Netanyahu, eu sugiro que comecem a se preparar para a Era Bennet.  Do contrário, esperem um vôo da águia Netanyahu muito mais rasante, só que nas asas dos partidos religiosos mais linha-dura do momento, efervescendo o debate sobre o que é o verdadeiro sionismo: um ou dois Estados? A sobrevivência de Israel depende mesmo que se forje dentro das linhas de 1967 o que vem sendo chamado de um Estado Palestino Independente? Ou o destino de Israel cabe só a Israel decidir?

Lehitra’ot

e

Shabat Shalom!

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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