Reconhecimento facial em tempo real começa a ser adotado no Brasil

Brasil entra na era do filme Minority Report. A tecnologia de reconhecimento facial em tempo real começa a ser demonstrada no País.

A Gemalto é uma das empresas que aposta na adoção desse tipo de solução no País, especialmente por parte de bancos e de órgãos de segurança pública.

É esperado para um futuro próximo o lançamento de editais de departamentos da polícia civil prevendo a contratação desse tipo de serviço, informa Ricardo Abboud, gerente de marketing da Gemalto na América Latina, e um dos responsáveis pela realização de demonstrações com a tecnologia no mercado nacional.

A polícia de Londres já utiliza essa tecnologia. E é notório o caso chinês, onde o governo monitora e identifica a população através de milhares de câmeras em locais públicos. No Brasil, essa tecnologia está engatinhando.

A solução da Gemalto é capaz de identificar até 300 rostos em um único quadro. A velocidade e a precisão do reconhecimento, contudo, dependem de uma série de fatores, como a resolução da câmera, a iluminação do ambiente, a velocidade de conexão com o servidor onde está armazenado o banco de dados, e a quantidade de rostos cadastrados para serem comparados. “O sistema é tão bom quanto for a qualidade do cadastro. Em condições ideais, como em fotos de passaporte, o índice de acerto é de 99,4%”, diz Marcos Araújo, consultor técnico da empresa.

Um dos parâmetros é a distância entre os olhos. O ideal é ter pelo menos 90 pixels, mas a Gemalto consegue fazer uma identificação a partir de uma imagem com apenas 25 pixels de distância entre os olhos, embora com precisão menor.

Tecnologia de biometria da face já está sendo utilizada com sucesso em vários países

Durante a UEFA Champions League, no Estádio Nacional de Gales, onde estavam reunidos cerca de 170 mil torcedores, a tecnologia foi usada para monitoramento CCTV, em tempo real, de imagens estáticas e pesquisa de vídeo gravado, garantindo a capacidade de vigilância para localizar pessoas de interesse em listas de vigilância pré-determinadas, incluindo criminosos, suspeitos, indivíduos vulneráveis e pessoas desaparecidas.

Na oportunidade, foi detido um homem que era procurado pela polícia e havia passado por vários policiais em uma rua principal da cidade, antes de ser identificado pelas câmeras.

Casos de uso

Os casos de uso são variados. O mais óbvio é na área de segurança: identificar criminosos cadastrados pela polícia. Em estádios de futebol, por exemplo, seria possível garantir que torcedores banidos não entrem. Outra possível utilização é para a melhoria do atendimento: um banco poderia identificar a entrada de um cliente VIP na sua agência em tempo real, deslocando imediatamente alguém para recebê-lo antes mesmo que o correntista pedisse.

O sistema da Gemalto se chama LFIS (Live Face Identification System) e pode ser configurado para gerar alertas para os celulares de agentes de segurança ou qualquer outra pessoa pré-definida. Os alertas podem chegar via notificação em um app móvel da própria solução ou por meio de outros canais, como e-mail ou aplicativos de mensagens.

Combinação com Impressão Digital

A Gemalto também fornece outras soluções de identificação por biometria. Uma delas, chamada Cabis, serve para cadastro e identificação através de digitais, palma da mão, íris e face.

O governo do estado de São Paulo utiliza essa solução desde 2013 na emissão de RGs, cadastrando as digitais de todos os dez dedos das mãos. Cerca de 22 milhões de pessoas já se cadastraram dessa forma no estado. Em cinco anos de utilização, a polícia paulista já identificou 4 mil pessoas envolvidas em cenas de crime através dessa tecnologia.

O sistema pode ser usado por policiais em campo, com scanners portáteis de digital, conectados a smartphones, mas esse tipo de utilização móvel ainda não foi implementado no Brasil, somente no exterior, por enquanto, diz Abboud.

Renova Mídia publicou uma matéria dias atrás sobre uma empresa de marketing que está utilizando um sistema de leitura facial para analisar a reação das pessoas ao se deparar com anúncios no metrô de São Paulo.

Adaptada de Mobile Time pelo voluntário Walter Barreto
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia