Renan Calheiros na presidência do Senado é uma vergonha

Texto de opinião escrito pelo colaborador Carlos Júnior.

Antes de me identificar com a direita política, identifico-me como brasileiro. Votei na última eleição em candidatos inexpressivos na disputa pela Câmara dos Deputados e Senado. Eleitor de primeira viagem, quis expressar nas urnas os valores que tanto acredito. Não fui o único a pensar assim, visto que a renovação nas duas casas foi recorde. Os brasileiros – ou a maioria deles – cansaram da velha política e impuseram nas urnas severas derrotas aos mesmos políticos de sempre.

Mesmo que os novos ares na política brasileira estejam pujantes, algumas figurinhas carimbadas conseguiram reeleições em seus respectivos cargos. O caso mais emblemático que motiva este artigo é o de Renan Calheiros. Eleito para o quarto mandado como Senador, o emedebista é alvo de 17 inquéritos, já renunciou à presidência do Senado uma vez por corrupção e tem em seu histórico mudanças ideológicas constantes. Ainda assim, quer voltar ao cargo com a maior naturalidade do mundo.

Aos mais esquecidos e desinformados, lembro-os da discussão que Renan teve com o ex-senador Pedro Simon, também do MDB. Na época, José Sarney era presidente do Senado e enfrentava sérios problemas com a justiça. Os poucos senadores que defendiam abertamente sua renúncia eram logo rechaçados pela ‘’tropa de choque’’ de Sarney. E um deles era Renan Calheiros. Quando Simon usou a tribuna para pedir a saída do então presidente do Senado e foi interrompido por Renan, recapitulou a trajetória do senador alagoano e sua constante passagem por governos anteriores. ‘’Vossa excelência foi lá na China e fez um acordo com o Collor. Depois abandonou ele. E lá pelas tantas apareceu de ministro do Fernando Henrique, ministro da justiça. Hoje é o homem da total confiança do Lula’’.

Renan Calheiros já foi presidente do Senado. Porém, foi acusado de receber ajuda financeira de um lobista, Cláudio Gontijo. Supostamente a empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, amante de Renan, no que ficou conhecido como ‘’Renangate’’. A pressão foi enorme e ele renunciou ao cargo de presidente, porém, manteve o mandato. O Conselho de Ética do Senado o absorveu das acusações.

Além da corrupção envolvendo seu nome, Renan nunca teve ideologia ou ideias políticas definidas. Desde o governo Sarney, seu nome sempre foi vinculado ao Palácio do Planalto. Como deputado federal, foi líder do governo Collor no Congresso Nacional. No governo FHC, foi ministro da justiça. Depois da eleição de Lula, Calheiros e o PMDB decidiram migrar para o governo. Sempre ‘’de galho em galho’’, nunca ficou de fora da base aliada.

Os bastidores sempre foram o campo favorito de Renan. E é nele que o senador alagoano costura sua volta ao comando do Senado. Conta com o voto secreto, onde o nome dos senadores que votarão não aparecerá, evitando um desgaste para quem apoiá-lo. Esse é modus operandi de Renan.

É péssimo para o governo Bolsonaro um nome como o de Renan Calheiros no comando do Senado. Iria de encontro com todo o discurso de campanha. Um novo congresso e um novo governo, consagrados nas urnas por eleitores que exigem nova postura e práticas transparentes, não podem aceitar a subordinação de uma velha raposa em uma das duas casas.

Bom lembrar que Renan tem forte apoio da oposição, principalmente do PT. O líder do PT no Senado, Humberto Costa, já o afagou um dia antes da votação que irá eleger o presidente da casa. Há pouco menos de dois meses, surgiu a notícia de que Calheiros dará o Conselho de Ética ao PT. Ora, estamos falando do partido que protagonizou os maiores escândalos de corrupção da história brasileira. E um candidato ao comando do Senado pretende dar a ele justamente o comando de um órgão que deve zelar por valores totalmente contrários a isso. Que compromisso Renan Calheiros tem com o Brasil?

Para um bom entendedor, meia palavra basta. Para um bom observador, atitudes repetidas também. Renan Calheiros é o senador com 17 inquéritos nas costas, conta com o apoio do partido que saqueou o país, troca de ideologia como quem troca de roupa e vai de encontro com a vontade dos brasileiros. Sua volta ao comando de uma casa legislativa tão importante não pode ser tolerada. Renan Calheiros na presidência do Senado é uma vergonha.

Texto de opinião escrito pelo colaborador Carlos Júnior

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Os pontos de vista contidos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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