Saiba como o ouro da Venezuela vai parar em bolsos errados

Com esquemas sofisticados, a ditadura de Nicolás Maduro participa no voo de ouro. A descoberta de uma carga de ouro em Aruba expôs uma rota para levar ouro da Venezuela através das ilhas holandesas do Caribe para a Europa e Dubai.

O Banco Central da Venezuela, que por lei autoriza a comercialização do ouro, ficou no meio de uma rede de corrupção que demonstra o fracasso da política de Hugo Chávez de nacionalizar esse material estratégico e controlar o tráfico ilegal.

Nicolás Maduro, por sua vez, não fez absolutamente nada para corrigir. Pelo contrário, lucrou com isso.

Os Estados Unidos anunciaram sanções para bloquear operações ligadas à cadeia de extração e comercialização envolvendo empresas militares, públicas e privadas, gangues criminosas locais e guerrilheiros colombianos.

O negócio oficial

O Banco Central venezuelano compra ouro em El Callao de intermediários selecionados, associações de produtores e grupos de mineradores registrados, chamados “brigadas de mineração”.

El Callao é uma cidade venezuelana, capital do município de El Callao. É considerada a cidade mais violenta da Venezuela e uma das mais violentas do mundo, tudo isso devido a uma “febre do ouro” que vem acontecendo na região desde o início da crise na Venezuela e que tem atraído garimpeiros ilegais e cartéis de drogas

O processador estatal de ouro Minerven derrete o minério em barras, que as aeronaves militares transportam para bases aéreas em torno de Caracas.

Soldados descarregam as riquezas em veículos blindados destinados ao Banco Central.

O banco está vendendo ouro para manter o país à tona, reduzindo suas reservas de metal para US$ 6,6 bilhões, de quase US$ 20 bilhões no início de 2012, segundo um relatório do banco de investimentos Caracas Capital Markets.

Quando o ouro chega a Caracas, é apresentado, às vezes ao próprio Maduro, em cerimônias transmitidas pela televisão estatal. Há inclusive imagens do ditador beijando barras de ouro circulando pela Internet.

Maduro, em suas aparições “douradas”, vamos assim chamá-las, utiliza as barras de ouro para mostrar à população que o País é rico e não passa por privações “como os ianques e os inimigos do bolivarismo apregoam” (sic).

Maduro firmou acordos com seus generais oferecendo participações nas extrações de ouro e minérios. Isso garante a lealdade do alto escalão militar, consegue um exército (em ambos os sentidos) de pessoas para trabalhar na mineração, além de uma vigilância policialesca em todo o ciclo extrativo.

O Exército é que fornece combustível, alimentos e meios de locomoção nas áreas de extração. Isso é uma forma dissimulada de escravidão.

Da mesma forma que eram usadas as famosas ‘cadernetas’ de compra que os garimpeiros brasileiros usavam, ou seja, você compra alimentos, equipamentos e necessidades nas lojas oficiais e SEMPRE está em débito.

E paga o débito no garimpo. Assim o ciclo se renova ad perpetuum.

No meio do nada, uma ou duas ou várias pessoas morrem. São enterradas em valas comuns e ponto final. Que venham outras.

Um enorme esquema que levou a massacres e operações complexas de lavagem de ativos que engordam os bolsos de poucos e que produz danos ambientais a um território que é (ou era) Patrimônio da Humanidade.

Voltaremos nesse assunto em outros artigos.

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

Share on twitter
Share on facebook
Share on whatsapp
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest

Deixe seu comentário...