Trump tenta evitar que Jeff Bezos se torne o novo George Soros

Para não perder o costume, o presidente Donald Trump voltou a causar “polêmica” após escrever um tweet. O alvo da vez foi o homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, dono da Amazon e do jornal The Washington Post.

Donald Trump acusou Jeff Bezos de utilizar a aquisição do jornal para manter os impostos da Amazon baixos e de tirar milhares de varejistas do mercado.

O primeiro ponto a ser feito é sobre as famosas tuitadas de Trump. Segundo o ex-diretor da CIA, Mike Pompeo (que está prestes a assumir o cargo de Secretário de Estado), a atuação de Trump no twitter é estratégica e persuasiva e não um emaranhado de meras opiniões ou ataques pessoais a outros países e pessoas.

O segundo ponto a ser feito antes de analisar o “ataque” do presidente ao homem mais rico do mundo, é notar que um dos pontos fortes do atual presidente americano é “devolver pancadas”. O espírito durão de Trump, somado a seu humor ácido e autenticidade para atacar e devolver todas os ataques do pântano de Washington DC, são exatamente o que os conservadores americanos rezaram e pediram por décadas: alguém que não tenha medo de lutar a guerra política e cultural que a esquerda começou e lutou praticamente sozinha até então.

Como no caso das tarifas do aço, nem tudo é como parece e uma infinidade de fatores estão por trás desse caso. Trump realmente se importa com os varejistas que perderam seus empregos pelo crescimento da Amazon? Claro! E luta pela classe média americana como nenhum outro americano desde Ronald Reagan, mas o verdadeiro alvo de seus ataques é a luta de Jeff Bezos contra a administração Trump.

Em março de 2013, Jeff Bezos anunciou um contrato de mais de U$$ 600 milhões da Amazon Web Services com a CIA, para o desenvolvimento de um sistema de armazenamento em nuvem para coleta de dados. O estranho é que a Amazon estava longe de ser conhecida como uma grande fornecedora desse tipo de serviço. O mercado é dominado por marcas como VMware, Citrix, HP , IBM , Cisco, etc. Na ocasião, a IBM chegou até a entrar com uma ação contra a Amazon e a CIA no GAO, órgão equivalente a Controladoria Geral da União. Porém, um juiz federal interveio a favor da Amazon e deixou o caminho livre para a CIA dar inicio no contrato.

A iniciativa foi patrocinada, à época, pelo então diretor do Diretório de Inteligência Nacional, James Clapper, órgão que foi criado após o 11 de setembro, no intuito de reunir e compartilhar toda a inteligência reunida pelas 17 agências de inteligência e espionagem do governo americano. O contrato beneficiou todas as 17 agências, pois permitiu que todas compartilhassem suas informações e base de dados num mesmo lugar.

A utilidade para caçar terroristas e criminosos não deve ser discutida, pois um dos graves problemas que levaram ao 11 de setembro foi justamente a falha no compartilhamento de inteligência entre as agências, mas isso levou a um problema de politização de inteligência. Em 2016, o Diretório de Inteligência Nacional anunciou que as 17 agências de inteligência, compartilhando informações recolhidas através da vigilância sobre a campanha de Donald Trump, haviam colhido indícios que comprovavam o envolvimento russo com a campanha. Ao mesmo tempo, o Washington Post liderava uma campanha difamatória tentando validar a conspiração. Interessante, não?

Alguns meses depois, Bezos comprou o decadente jornal The Washington Post por U$$ 250 milhões. O conflito de interesses é inevitável. Um bilionário dono de uma empresa fecha um contrato gigante com a comunidade de inteligência para armazenamento de dados de inteligência e logo após compra um meio de comunicação. Mas Bezos é um liberal, no sentido americano da palavra. Tem o pensamento alinhado ao politicamente correto e ao globalismo, então é claro que não chama atenção da mídia tal conflito de interesses.

Após o anuncio da candidatura de Donald Trump nas primárias republicanas, o jornal iniciou uma verdadeira batalha contra Trump, propagando fake news e criando diversas narrativas. A mais famosa não poderia deixar de ser a teoria da conspiração russa, onde o Trump era marionete de Putin e teria sido eleito com a ajuda da Rússia nas eleições de 2016. Quase todas elas utilizando fontes da comunidade de inteligência ou “funcionários familiarizados com o assunto”. Ou seja, funcionários de inteligência vazam informações ou as inventam com o intuito de sabotar Trump e sua equipe. E o Washington Post as publica.

É interessante observar que vazamentos originários do Departamento de Justiça e da Comunidade de Inteligência geralmente aparecem no Washington Post, no New York Times, na NBC e dependendo do conteúdo no Wall Street Journal. Já os vazamentos do Departamento de Estado geralmente fluem para a CNN, CBS e ABC. É o chamado Deep State. Um grupo de determinados agentes políticos sem rosto (geralmente burocratas não eleitos ou agentes de inteligência) dentro do governo que tentam influenciar e minar os rumos da América. Uma “entidade” que os americanos sempre suspeitaram da existência. O governo dentro do governo.

O Washington Post está desesperado para tentar obter algum tipo de incentivo para a narrativa que criou, enquanto muitos dos atuais líderes do FBI e do DOJ estão sendo investigados. O Washington Post apostou sua reputação jornalística na história do conluio na Rússia. Não há possibilidade de qualquer saída bem sucedida após dois anos de denúncias completamente falsas por meio do uso de fontes anônimas corruptas. Algumas dessas fontes são os já conhecidos Peter Strzok, Lisa Page, James Comey e Andy McCabe.

McCabe foi demitido pelo Procurador Geral Jeff Sessions e por seu vice, Rod Rosenstein, por recomendação do Escritório de Responsabilidade Profissional do FBI. A recomendação seguiu uma consulta do Inspetor Geral Michael Horowitz, que delineava como o vice diretor do FBI, McCabe, havia construído vazamentos para a mídia e instruíra sua equipe (Mike Kortan, Peter Strzok, Lisa Page, etc.) a contatar os meios de comunicação, fornecendo informações para formar as histórias. Vazamentos para criar narrativas.

Quando confrontado pelo Inspetor Geral sobre seu envolvimento em vazar histórias para a mídia, Andrew McCabe mentiu. Sua negação inicial, em face da esmagadora evidência fornecida pelas investigações, levou o Inspetor Geral ao Escritório de Responsabilidade Profissional do FBI, que recomendou a sua demissão.

O tamanho do envolvimento de Jeff Bezos com a narrativa russa e a sujeira do Obamagate não são claros, mas o movimento de Trump pode indicar um aviso para o mega bilionário, mostrando que o presidente está pronto para a luta. E no campo cultural e político, tem sido raro alguém desafiar Trump e sair vencedor.

 

Artigo escrito pelo colaborador Lucas Krzyzanovski (@lucaskrzy no twitter)
Tarciso Morais
Tarciso Morais
Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia