Português   English   Español

Tudo o que você precisa saber sobre a ideologia de gênero

O que é gênero e o que está por trás disso? | Artigo enviado pelo voluntário Pedro Augusto

Nos últimos anos um assunto, que até pouco tempo ninguém ouvia dizer, ganhou destaque nas universidades, jornais e televisão: a ideologia de gênero, que muitos de seus defensores costumam chama-la simplesmente de questões de gênero.

Se a ideologia de gênero (ID) possui uma “Bíblia”, ela se chama “Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade”, de Judith Butler. Neste livro, ela define a ID como:

Embora a unidade não problematizadora de noção de “mulheres” seja frequentemente invocada para construir uma solidariedade da identidade, uma divisão se introduz no sujeito feminista por meio da distinção entre sexo e gênero. Concebida originalmente por meio da distinção entre sexo e gênero atende à tese de que, por mais que o sexo parece intratável em termos biológicos, o gênero é culturalmente construído: consequentemente, não é nem o resultado causal do sexo nem tampouco tão aparentemente fixo quanto o sexo. Assim, a unidade do sujeito já é potencialmente contestada pela distinção que abre espaço ao gênero como interpretação múltipla do sexo.

Se o gênero são os significados culturais assumidos pelo corpo sexuado, não se pode dizer que ele decora de um sexo desta ou daquela maneira. Levada a seu limite lógico, a distinção sexo/gênero sugere uma descontinuidade radical entre corpos sexuados e gêneros culturalmente construídos. Supondo por um momento a estabilidade do sexo binário, não decorre daí que a construção de “homens” se aplique exclusivamente a corpos masculinos , ou que o termo “mulher” interprete somente corpos femininos. Além disso, mesmo que os sexos pareçam não problematicamente binários em sua morfologia e constituição (ao que será questionado), não há razão para supor que os gêneros também devam permanecer em número de dois. A hipótese de um sistema binário encerra implicitamente a crença numa relação mimética entre gênero e sexo, na qual o gênero reflete o sexo ou por ele restrito. Quando o status construído do gênero é teorizado como radicalmente independente do sexo, o próprio gênero se torna um artifício flutuante, com a consequência de que homem e masculino podem, com igual facilidade, significar tanto o corpo feminino como um masculino, e mulher e feminino, tanto um corpo masculino como um feminino

Nestes dois parágrafos, a autora afirma que todos nascem com seu sexo, já que este é determinado pelo corpo pelo qual nascemos, seja masculino, com pênis, testículo etc., ou no caso feminino, com vagina, útero etc.

Já o gênero é socialmente construído. O que determinaria o que é ser mulher/homem são códigos, costumes etc., construídas ao longo da história. Tudo são meras construções sociais e culturais. Portanto, para os defensores dessa teoria, mulheres e homens não estariam mais propensos, de forma natural, a certos comportamentos, gostos, pensamentos, escolhas, modo de falar e de agir. Tudo foi construído socialmente. Portanto, pessoas nascidas em um corpo masculino, por exemplo, podem se identificar com aquilo o qual se construiu socialmente como feminino.

A formação do gênero então provém de discursos e jurisdições construídos socialmente ao longo da história para legitimar o poder e o domínio de um sujeito (no ser o masculino) e a opressão do oprimido (no caso, o ser feminino).

Butler, inspirada em Karl Marx e Friedrich Engels, afirma que a cultura foi organizada para legitimar e conceder privilégios ao grupo masculino em detrimento do feminino. O ser homem e o ser mulher são mitos, tudo não passou de discursos construídos ao longo do tempo para criar privilégios. Homens e mulheres, segundo a autora, não possuem absolutamente diferença natural alguma, exceto no quesito corpo, ambos assumiram papéis e tem certas características por causa de construções sociais.

O que é e o que não é ideologia de gênero

Gênero não é opção sexual. É comum ver na internet frases com tom de ironia dizendo: “gays nascem gays, mas homem não nasce homem e mulher não nasce mulher”. A ideologia não vem para falar da opção sexual dos indivíduos, mas sim analisar aquilo pelo qual o ser humano se identifica.

O objetivo de Butler e a ideologia de gênero

De forma um tanto errônea, muitos ainda defendem essa teoria e os escritos de Butler por supostamente só almejarem o fim das desigualdades e preconceitos entre homens e mulheres.

Na verdade, a autora defende que todos fluam entre todos os gêneros e não se limitem aos seus corpos, ou seja, que ninguém se prenda ao ser masculino, feminino ou quaisquer gêneros imaginados. Tudo deveria ser experimentado, o humano precisaria conhecer de tudo e deixar de ter uma identidade única, que ele seja tudo. Ser homem ou mulher seria uma forma limitadora de tudo aquilo que o sujeito pode ser. Butler defende uma postura fluída, sem definições e restrições, ou seja, que ninguém seja o ser masculino e feminino cultural, mas que seja tudo.

As consequências da ideologia de gênero

Como Butler defende a total fluidez e o fim dos papéis sociais que foram socialmente construídos ao longo dos séculos, então não faria mais sentido existir pai ou mãe, já que ambos socialmente construídos e limitam a liberdade e a fluídez de cada sujeito. Lembre-se que as feministas da Segunda Onda defendiam que a maternidade era uma forma de opressão e limitação do feminino. Portanto, os modelos tradicionais de família seriam abolidos em uma sociedade que tenha a ideologia de gênero como modelo.

Como surgiu essa ideia de gênero?

Ela surgiu a partir do desenvolvimento de algumas correntes de pensamento.

Uma delas é a revolução sexual. Pensadores da Escola de Frankfurt – especialmente Wilhem Reich e Herbert Marcuse – transferiram a luta de classes para outras áreas como entre homens x mulheres. O sexo feminino seria explorado pelo masculino. A total liberação sexual então seria a chave para o fim da opressão. Marcuse argumentava que a sociedade industrial inibia os prazeres sexuais através do trabalho.

Tão importantes quanto os anteriores são os construtivistas sociais. Eles desejavam a desconstrução da sociedade e argumentavam que nem os objetos (a realidade) nem os sujeitos (o homem) que descobrem a realidade, mas apenas a linguagem que produz os objetos ( a realidade) à medida que lhes atribui um nome, os classifica, caracteriza etc.

Os existencialistas, encabeçados por Simone de Beauvoir, argumentavam que não se nascia nem homem ou mulher, mas sim se é construído socialmente. A experiência feminina teria sido dominada ao longo da história. Logo, as hierarquias deveriam ser eliminadas em todas as instâncias das vidas públicas e privadas.

Como não podiam estar de fora, as feministas, em suas diversas correntes, que além de protestarem contra as desigualdades sexuais e políticas, argumentavam que certas estruturas e papéis sociais perpetuavam a desigualdade e opressão feminina. A maternidade seria uma delas. De acordo com Kate Millet, ser mãe colocava as mulheres em total dependência em relação ao homem. Portanto, abolir o papel social da maternidade é libertar as mulheres.

Feministas marxistas foram além. Shulamith Firestone em Dialética do Sexo defendeu a “libertação das mulheres da tirania de sua biologia, através de todos os meios disponíveis, e a distribuição do papel da nutrição e da educação das crianças entre a sociedade como um todo”. Em seu livro, ela chega a defender as relações sexuais entre mães e filhos.

A cereja do bolo foi na ciência através do dr. John Money. Ele acreditava que homens e mulheres desenvolviam características masculinas e femininas somente porque foram criados por seus pais como homens e mulheres. O médico ficou mais conhecido ainda por causa de David Reimer, que teve seu pênis queimado após uma cirurgia aos seus sete meses de idade. Os pais do bebê, desesperados, na esperança de resolverem o problema, levaram seu filho a Money que recomendou-os a criar seu neném como uma menina. De acordo com a teoria do sexólogo, Bruce, que agora se chamaria Brenda, desenvolveria características femininas.

Apesar do médico relatar o caso como um sucesso para a comunidade científica, Brenda não desenvolveu características femininas e teve uma infância e pré-adolescência complicadas e com manifestação de caracteres masculinos. Cansados da situação, os pais resolveram contar a verdade e Bruce/Brenda passou a se chamar David. Ele reconstituiu o pênis através de uma cirurgia e até se casou. No entanto, entrou em depressão e aos 38 anos se matou.

Quantos gêneros existem?

Não há como dizer exatamente. A cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, por exemplo, reconhece 31 tipos de gênero, já o Facebook reconhece 56.

Alguns dos mais “comuns” seriam o transfeminino, cuja pessoa nasceu em um corpo do sexo masculino, mas se identifica com o ser feminino; o transmasculino que é o oposto do transfeminino; o transexual que é alguém que se submeteu a cirurgias para mudar o sexo do corpo; o agênero que são pessoas que não se identificam nem com o masculino e nem o feminino; andrógino que são aqueles que têm características de ambos os sexos e se sentem tanto homens como mulheres e o sexo fluido que é quando a pessoa pode mudar sua identidade de gênero a quaisquer momentos dependendo das circunstâncias. Esses são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos.

O que a ciência diz sobre o tratamento de mudança de gênero/ sexo com hormônios em adolescentes e crianças?

Crianças e adolescentes submetidas a tratamentos hormonais podem ficar inférteis, possuem riscos de doenças arteriais, tromboses, doenças cardiovasculares, ganho de peso; hipertrigliceridemia; hipertensão; redução na tolerância à glicose; doenças vesiculares, prolactinoma, câncer de mama, coágulos sanguíneos e diabetes, de acordo com um estudo da American College of Pediatricians.

O que dizem alguns estudos sobre a identidade de gênero em crianças e adolescentes

A presidente do American College of Pediatricians em artigo para o Daily Signal relatou que:

1)Pesquisas realizadas com gêmeos mostram que se o DNA e os hormônios pré-natais determinassem a transgeneridade, deveríamos esperar que, em quase 100% dos casos, se um gêmeo se identificasse como transgênero, o outro faria o mesmo. O maior estudo sobre o caso publicado em 2013 pelo médico Milton Diamond aponta que, em apenas 28% das vezes em que um dos gêmeos é transgênero, o outro também é.

2) O Manual de Sexualidade e Psicologia da Associação Pediátrica Americana mostrou que entre 75% a 95% dos adolescentes que possuem alguma confusão sobre sua identidade sexual aceitam o seu sexo biológico no fim desta fase da vida. Estima-se que nos meninos a taxa chegue a 98%, enquanto nas meninas 88%.

3) inexiste casos de crianças com disforia de gênero que tenham deixado de usar medicamentos hormonais. O único estudo sobre o tema mostra que todos os diagnosticados que foram tratadas com bloqueadores continuaram expressando a identidade transgênero e passaram a ingerir hormônios de cruzamento hormonal. A médica também diz que este número sugere que o protocolo médico em si pode levar os jovens a se identificar como transgênero.

4) O risco de suicídio é um dos motivos pelos quais muitos defendem as cirurgias de mudanças de sexo nas crianças e adolescentes. No entanto, um estudo sueco revela que a taxa de suicídios em pessoas que fazem a mudança de sexo é vinte vezes maior em relação a população em geral. Além disso, estima-se que 90% desse grupo que tira a sua vida já foi diagnosticado antes com alguma desordem mental. E não há provas claras de que a causa do suicídio foi o preconceito, perseguição etc.

Tudo é construção social?

A grande parte, ou todos, os defensores da ideologia de gênero acreditam que basicamente tudo, ou quase tudo são construções sociais, ou seja, homens tem características masculinas e mulheres femininas por causa da cultura. Não é incomum esta tese ser defendida nas universidades ( eu, por exemplo, já ouvi em uma aula de antropologia cultural), inclusive para se explicar o porquê homens preferem ter uma formação relacionada às ciências exatas, enquanto as mulheres às ciências humanas.

No entanto, alguns estudos contrariam essa tese. Pesquisadores apontam que a biologia é determinante sim para inúmeras diferenças entre homens e mulheres. Um deles é o professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Simon Baron-Coehn que em uma publicação afirmou que os genes relacionados à empatia estão mais presentes nas mulheres, e, em média, são superiores aos homens, o que poderia explicar a predileção do sexo feminino por cursos que exigem maior relação interpessoal, como Serviço Social. “Existem mais de mil genes no cromossomo X. Uma vez que as mulheres têm dois cromossomos X, mas os homens só têm um, essa diferença genética tem um impacto”, disse o autor.

Baron-Coehn ainda afirma em uma de suas pesquisas que é o tipo de cérebro – e não o sexo – que influencia no comportamento humano. Alguns tipos de cérebro, no entanto, são mais comuns em um sexo do que em outro. Nos homens, por exemplo, é mais comum encontrar funções cerebrais mais voltadas para “sistematizações”, que seria a capacidade de compreender como algumas coisas funcionam em programas de computador, engenharia de carros ou equações matemáticas.

“Nós ainda não sabemos se a forte sistematização está associada a determinados genes ligados ao sexo, mas devemos manter uma mente aberta sobre essa possibilidade, já que apenas 10% dos professores de matemática são mulheres”.

Ele também não descarta que haja também uma influência cultural. Portanto, ele acredita que há uma mistura entre cultura e biologia.

“O determinismo biológico não é necessariamente sexista. Pode ser sexista, se é usado para afirmar que todas as mulheres fazem ‘x’ e todos os homens fazem ‘y’ ou se é usada para perpetuar desigualdades sociais. Tais aplicações sexistas de teorias deterministas biológicas são abomináveis”.

Outro estudioso que vai na mesma linha é Richard Lippa, professor de Psicologia da Universidade do estado da Califórnia. Em um estudo com mais de 200 mil pessoas em 53 países diferentes sobre as preferências ocupacionais, ele constatou que homens e mulheres divergem significativamente em todas as análises realizadas. Além do mais, ele também concluiu que diferenças entre meninos e meninas já aparecem nos primeiros dias de vida e fatores biológicos contribuem para as diferenças sexuais de personalidade.

Quem também chegou a conclusões parecidas, foram os pesquisadores Brenda Todd, John Barry e Sara Thommessen. Um estudo sobre análise biológica e comportamental – focada em diferenças entre crianças de diferenças faixas etárias -constatou algumas diferenças biológicas que proporcionam aos meninos um interesse e habilidade maior no processamento espacial. Enquanto isso, as meninas têm maior interesse em olhar rostos, possuem mais domínio das atividades motoras finas e na manipulação de objetos.

Os pesquisadores também analisaram a preferência de brinquedos com crianças de nove a 17 meses em um ambiente sem os pais. Eles descobriram que a bola era o brinquedo preferido dos meninos e a panela das meninas.

Um outro estudo corrobora ainda mais com a tese da preferência por certos brinquedos ser algo biológico. Publicado na revista científica Infant and Child Development analisou 16 estudos realizados com 787 meninos e 813 meninas e constatou que a preferência de meninos por brinquedos voltados a meninos e de meninas por brinquedos voltados a meninas se mantém independentemente de localização geográfica, escolaridade, faixa etária e a presença de adultos durante a brincadeira. Os autores indicam a probabilidade da origem biológica.

O que alguns especialistas dizem sobre a ideologia de gênero

Michelle Cretella, presidente da Escola Americana de Pediatras, ao falar sobre hormônios e cirurgia de mudança de sexo, afirmou que:

Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com sexo biológico. Gênero (uma conscientização e senso do que é macho ou fêmea) é um conceito sociológico e psicológico; não um fator biológico. Ninguém nasce sabendo se é macho ou fêmea; esta consciência se desenvolve com o tempo,e como todo processo de desenvolvimento, pode ser mal direcionado por percepções subjetivas, relacionamentos, e acontecimentos diversos da infância em diante. Pessoas que se identificam como “se sentindo do sexo oposto” ou “alguma coisa aí no meio” não estão classificadas como um terceiro sexo. Eles permanecem biologicamente homens ou mulheres.

Em evento organizado pelo think tank norte-americano Heritage Foundation, ela também afirmou que:

A castração química, que é o que você está fazendo quando você coloca uma criança biologicamente normal sob o efeito de bloqueadores da puberdade [drogas], está tratando a puberdade como uma doença. Estão ensinando crianças da pré-escola a mentira de que você pode estar preso no corpo errado. Mais uma vez, isso está apenas interrompendo seus testes de realidade normais e e desenvolvimento cognitivo. Essas coisas são abusivas.

Um estudo da Universidade da Califórnia mostrou que 17% dos jovens com disforia de gênero estariam com problemas psicológicos graves, enquanto somente 7% dos que aceitam seu sexo de nascimento tem o mesmo problema. A pesquisa foi feita com 1594 adolescentes da Califórnia com idade de 12 a 17 anos.

O estudo da Universidade da Califórnia não encontrou diferenças significativas nas taxas de tendências suicidas entre os jovens com disforia de gênero e os que não têm.

 

Artigo enviado pelo voluntário Pedro Augusto

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da Renova Mídia

Deixe seu comentário...

Veja também...

Newsletter Renova!

Preencha o formulário para assinar nossa newsletter.

Nome Email
newsletter