Venezuela e Turquia lucram com o ‘ouro de sangue’

A aproximação entre Recep Tayyip Erdogan e Nicolás Maduro não tem muito a ver com ideologia e sim com economia. Economias falidas e desesperadas.


Massacres e uma extensa estrutura do crime organizado estão por trás de uma recente aliança entre os regimes da Venezuela e da Turquia para extrair, refinar e comercializar o “ouro de sangue” que deixa a Amazônia e sustenta economias ilegais.

Recep Tayyip Erdogan, em seu primeiro mandato, ainda conseguiu manter a economia da Turquia dentro de níveis considerados razoáveis.

Tentativa de golpe, economia aos trancos e barrancos, uma guerra absurda que já duram décadas contra o PKK.

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Quando a Turquia interveio na guerra na Síria, fez isso por duas frentes. Além de integrar operações contra o ISIS, também aumentou o número de ataques contra os curdos sírios (que são aliados de Washington) que combatem o ISIS no país.

Um dos principais objetivos de Ancara era evitar a criação de uma zona autônoma curda na Síria, o que reforçaria a causa separatista dentro da Turquia.

Apesar das medidas de segurança impostas pelo governo, os atentados continuam. E a economia turca está sofrendo com o impacto sobre um de seus principais motores, o turismo, um setor que sempre respondeu mais de 13% do seu PIB cai assustadoramente.

A instabilidade, sobretudo na política, também atingiu em cheio investimentos estrangeiros no país.

A Turquia pode ser muito mais saudável do que a Venezuela no momento, mas uma década a mais do governo de Erdogan pode colocar a Turquia num caminho econômico não muito diferente do que a Venezuela está atravessando.

É um jogo de WAR (real)- sendo travado a cada instante por todos os protagonistas do planeta.

O Presidente Trump sanciona e restringe o comércio venezuelano até que Maduro renuncie ou abandone o cargo. As torneiras de investimento externo são fechadas paulatinamente.

Por exemplo, o Banco da Inglaterra já bloqueou o retorno das reservas de ouro venezuelano que possui em seu poder, avaliadas em US $ 550 milhões.

Os países com os quais a Venezuela poderia comercializar seus produtos, o fazem com sérias observações.

O cerco vai se fechando aos poucos. E o circo vai se escancarando.

A Turquia, sofrendo também algumas sanções por parte dos EUA, vê em Nicolás Maduro uma “alma gêmea” que sofre ‘das mesmas perseguições’ e abre suas portas ao comércio venezuelano.

Por estas portas entram ouro minerado e refinado ilegalmente, drogas e armas.

Usando um jargão brasileiro, “tudo sem nota fiscal”. Facilita a venda por parte da Venezuela que foge das restrições norte americanas, facilita a compra por parte da Turquia que também mantém oculta boa parte destas operações e, acima de tudo, facilita a venda do ouro, das drogas e das armas aos inimigos do grande vilão norte-americano.

Neste clima, a Turquia emergiu como um aliado vital para a Venezuela no cenário mundial.

Isto é comprovado pela rapidez com que ocorreram uma série de fatos: dois meses depois de uma visita de Nicolás Maduro a Recep Erdogan — uma empresa turca abriu atividade e importou perto de 900 milhões de dólares em ouro da Venezuela.

A estranheza adensa-se quando a informação disponível sobre a empresa em causa, a Sardes, é pouca e duvidosa: de acordo com a Bloomberg, os registos financeiros de Istambul terão o capital social da empresa avaliado em apenas um milhão de dólares. Conforme matéria publicada pela RENOVA em 11/02/19 que pode ser lida clicando aqui.

Um relatório de 2016 da Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional, intitulado “Crime Organizado e Ouro Minado Ilegalmente na América Latina”, revelou que entre 80% e 90% do mineral produzido na Venezuela é ilegal.

RENOVA publicou matéria denunciando o uso de pequenos mineradores para escoar o ouro venezuelano em 12/02/19.

Desde o ano passado, a Turquia vem refinando e certificando o ouro venezuelano depois que Maduro trocou as operações da Suíça devido às preocupações de que novas sanções contra seu país pudessem ser declaradas.
A Venezuela voltou-se recentemente para o ouro em uma tentativa de reforçar suas reservas em moeda estrangeira esgotadas à medida que a economia implode e as sanções internacionais restringem a capacidade do governo de levantar moeda estrangeira.

Apesar da falta de qualquer vínculo óbvio entre o regime socialista de Maduro e a administração conservadora e livre mercado do Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, os dois países estabeleceram laços estreitos.

Imdat Oner, um ex-diplomata turco que esteve alocado em Caracas de 2014 a 2016, diz que os interesses turcos na Venezuela, rica em petróleo, são em grande parte comerciais.

“Com o objetivo de diversificar seus parceiros além de sua tradicional esfera de influência, o governo de Erdogan está buscando alcançar uma base econômica na América Latina”, disse ele. “A Venezuela tem sido um parceiro conveniente para a Turquia para realizar sua meta de expandir o mercado de exportação na América Latina.”

Segundo Oner, Erdogan encontrou sua “alma gêmea” em Maduro. “Suas atitudes e diplomacia personalizada abriram o caminho para uma reaproximação crescente”, disse ele.

“Esses líderes populistas e autoritários estão procurando desenvolver relações homem-a-homem, em vez de depender de instituições, burocracias ou regras.”

“O mundo formou uma frente contra a hegemonia e pressão americanas cuja geografia se estende desde a Venezuela até a China e a Turquia é um ator chave aqui”, disse ele.

Oner disse que o relacionamento também pode ser visto no contexto da agitação turca com Washington, onde Erdogan calcula que seu “flerte” com o governo de Maduro funciona como alavanca.

“Com isso em mente, o presidente Erdogan provavelmente aprofundará seus laços com o regime de Maduro em um futuro próximo para ganhar mais concessões do governo Trump”, disse ele.

Oner também apontou para um aumento nos níveis de ouro da Turquia para os Emirados Árabes Unidos. “Esses picos sem precedentes levantam a questão de saber se o ouro vindo da Venezuela é enviado para os Emirados Árabes Unidos por causa de sanções”, disse Oner.

Jatos particulares russos e turcos parecem ter viajado para Caracas nos últimos dias. Ancara insiste que seu comércio está de acordo com os regulamentos internacionais.

Um dos jatinhos particulares encontrados em Caracas nos últimos dias pertence ao grupo Ciner, uma grande empresa de mineração turca com laços estreitos com o presidente Erdogan.

Um deputado da oposição venezuelana, José Guerra, alega que um avião russo pertencente à empresa Nordwind desembarcou em Caracas com o objetivo de transportar pelo menos 20 toneladas de ouro para fora do país.

O governo venezuelano é acusado pelos opositores de extrair ouro de forma ilegal e prejudicial ao meio ambiente, contaminando poços e administrando redes de crime organizado para controlar pequenos garimpeiros, muitas vezes com violência severa.

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva proibindo os cidadãos dos EUA de se envolverem no comércio de ouro com a Venezuela. Isso é extensivo a terceiros como a Turquia.

A receita do petróleo da Venezuela é prejudicada por sanções e uma queda no preço do petróleo, forçando Caracas a buscar receita através de outros meios, como o ouro.

Fontes: [1][2][3][4]


Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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