Venezuela: o ponto alto da ‘’nova’’ guerra fria

O espetáculo de pirotecnia na Venezuela ocorrido neste sábado (24) foi simbólico e tem diversas faces a serem desvendadas. Aos palpiteiros e vigaristas de plantão da grande mídia, não passou de um confronto de manifestantes opositores contra as forças armadas de um regime autocrata nacionalista. Quem quer que compre tal visão absurda, pode dar-se por enganado. A situação venezuelana é bem mais que uma visão fabricada de laboratórios geopolíticos de araque.

Nitidamente a ditadura socialista de Nicolás Maduro perdeu qualquer vestígio de apoio popular. Acerca da sua eleição fraudada – com apenas 20% da população venezuelana optando pelo ditador chavista -, disso não há a menor dúvida. Usando e abusando da corrupção, da repressão cara a regimes socialistas e dos agrados ao partido e as forças armadas, Maduro não teria saída em condições normais. Mas conta com o apoio de potências geopolíticas que dão suporte a sua ditadura.

Rússia e China deram seguidas declarações e demonstrações de apoio ao regime totalitário venezuelano. Em setembro de 2018, o premiê chinês, Li Kepiang, disse que a China está disposta a dar toda a ajuda que puder à Venezuela – ler-se: ditadura chavista. Em dezembro do mesmo ano, Maduro arrancou dos russos US$ 6 bilhões. Sua segurança pessoal é feita por agentes russos ligado ao presidente russo, Vladimir Putin. Além disso, a Rússia vende armas à Venezuela, o que torna o país um importante protagonista no cenário geopolítico latino-americano, fruto de alianças e discórdias.

O que ganha o esquema russo-chinês com o apoio a uma ditadura genocida que mata seu próprio povo de fome, mesmo com a péssima repercussão que a mesma tem em grande parte do Ocidente?

Para responder tal pergunta, mostra-se necessário conhecer o pensamento do maior intelectual russo por trás do dito eurasianismo: Alexandre Dugin.

Dugin é adepto da visão de que a Nova Ordem Mundial é na verdade um processo de transição, com os Estados Unidos sendo o maior ator geopolítico. A promoção dos valores americanos, segundo ele, são a força destruidora do holismo de culturas milenares e tradições de diferentes povos. Tais valores seriam a democracia liberal, o parlamentarismo, os direitos humanos e o livre mercado.

O cientista político russo argumenta ainda que existem três possibilidades de os EUA colocarem em prática sua hegemonia global: uma primeira, que diz respeito ao estabelecimento de um império na forma mais literal da palavra, com pontos externos no mundo em constante conflito; uma segunda, no qual os EUA exercem sua autoridade usando do multilateralismo com seus aliados históricos – Europa, Japão, Canadá, Austrália e Israel – para resolver questões de ordem maior e fazer pressão em países hostis – Irã, Venezuela e Coréia do Norte -; e uma terceira, onde um governo mundial é criado e estabelecido em termos legais no qual os integrantes do Conselho de Relações Exteriores estabelecem tais termos, dando fim a qualquer tipo de soberania nacional ainda existente.

Os mais curiosos podem ter acesso ao pensamento duginiano no livro “Os EUA e a Nova Ordem Mundial”, onde Alexandre Dugin debateu com o professor Olavo de Carvalho questões a respeito da Nova Ordem Mundial, o que a mesma seria e qual o papel dos EUA no processo.

O governo russo, intoxicado de tal visão, não tem outra estratégia geopolítica a não ser cooptar Estados párias antiamericanos em sua luta pelo poder. De repúblicas islâmicas a regimes socialistas, os aliados são diversos e tem justamente o antiamericanismo como fator unificante, além da defesa de valores antiocidentais.

Um erro crasso e muito intencional embutido em tal visão – que a invalida quase totalmente – é o de confundir governo americano com elite globalista americana. Os EUA geralmente são governados por políticos de dois partidos tomados por globalistas, o que não significa que o país inteiro o seja. Seus valores são o oposto do globalismo, e em sua luta contra a elite que o controla, consegue vez ou outra um governo antiglobalista – como Reagan e Trump. Os neocons – que são adeptos do intervencionismo em outros países e entusiastas de guerras inúteis – não nasceram com os EUA.

Donald Trump, o atual presidente americano, é adepto do não intervencionismo, portanto qualquer discurso vindo de líderes terceiro-mundistas contra o imperialismo americano não faz o menor sentindo. O que querem – e aqui incluo Nicolás Maduro e sua ditadura chavista – é pegar tal pretexto para justificar seus regimes totalitários como oposição a dominação americana.

Ora, temos na situação venezuelana um exemplo clássico de uma nova guerra fria. De um lado, o esquema russo-chinês dando suporte a um regime antiamericano. Do outro, um governo americano antiglobalista que luta para defender os interesses americanos reais. Essa disputa parece durar até a Casa Branca for ocupada por um presidente que não tenha conexões com o globalismo metacapitalista – reunião de banqueiros, empresários e investidores que querem a destruição do Ocidente e de seus Estados Nacionais para implementação de um governo mundial.

A Venezuela está numa situação complicadíssima, fato. Diferente da visão hegemônica da grande mídia de que a solução do problema passa por diálogo da ditadura chavista com entidades supranacionais, a verdade é que a atual situação é fruto de uma disputa de poder entre gigantes geopolíticos, e a resolução passa pela destruição do regime totalitário antiamericano de Nicolás Maduro e o estabelecimento de um governo nacionalista aberto ao Ocidente, que tenha os interesses de seu sofrido povo em primeiro lugar.

Referências: [1][2][3][4][5][6][7]

Os pontos de vista expressos neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente a posição da RENOVA Mídia.

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