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Uma visão histórica sobre o Halloween

Uma visão histórica sobre o Halloween
Artigo escrito pelo colaborador Walter Barreto

Uma das poucas coisas que se pode afirmar com certeza é que a comemoração do Halloween surgiu com os celtas.

Desde tempos ancestrais a bruxaria vem revestida de uma onda de mistério, curiosidade e medo, pois o mundo oculto sempre fascinou o homem. E, ao mesmo tempo, uma das maneiras mais seguras de se transmitir e perpetuar crenças e fatos.

Halloween provém de “All Hallows’ Eve”: “Hallow” é um termo antigo para “santo”, e “eve” é o mesmo que “véspera”.

O termo designava, até o século XVI, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.

A partir daí o evento foi conquistando outros territórios, outras crenças e outros povos que foram adaptando cada um a seu modo, as próprias culturas.

Há 2,5 mil anos atrás comemorava-se o Samhain, festival alusivo a passagem do ano dos celtas. Marca o fim do ano velho e o começo do ano novo. O Samhain inicia o inverno, uma das duas estações do ano dos celtas.

A comida e as fogueiras eram componentes obrigatórios nestes festivais. As fogueiras queimavam o joio (que celebrava o fim da colheita no Samhain), e eram um farol para indicar o rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra. É interessante mencionar que ‘festival’ era parte de uma série de celebrações em honra a um Deus ou deuses, não ficando restrita somente a um dia.

Nessa ocasião um sentimento de gratidão pairava nos ares. Música, bebidas. Igrejas tocando sinos. Tempos onde as pessoas eram convidadas a agradecer o que haviam conquistado: a safra boa, a saúde, as alegrias, os nascimentos, a fartura, a fertilidade das terras.  E também tempos de preces aos deuses para que as próximas semeaduras fossem prósperas.

Ao mesmo tempo em que se reconheciam os resultados obtidos havia também a percepção do fim de um ciclo e início de outro. Assim como a morte e o nascimento se complementam.

Se os vivos comemoravam os resultados, os espíritos dos mortos também podiam fazê-lo pois, de uma maneira ou de outra, o que ocorria naquele instante era fruto da ancestralidade.

Na cultura celta havia a crença que no último dia do verão (31 de outubro, de acordo com o seu calendário), os mortos e espíritos malignos saíam de suas tumbas. Uns para se regozijar com a família deixada e os demais para atormentar os vivos.

Tentando se proteger dos “mortos-vivos”, os celtas decoravam as suas casas com objetos macabros, como ossos e caveiras, acreditando que com isso podiam afugentar as “forças do mal”.

Os mortos assumiam, para os celtas, as formas de esqueletos e fantasmas. Então máscaras e fantasias ajudavam a enganar os espíritos que desta maneira não reconheciam os humanos e continuavam vagando pelo mundo sem incomodá-los.

As crianças eram fantasiadas para que se protegessem do Mal.

Elas iam de casa em casa cantando rimas ou dizendo orações para as almas dos mortos. Em troca, elas recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido liberada do purgatório

Em meados do século VIII, o Papa Gregório III mudou a data do Dia de Todos os Santos, de 13 de maio (a data do festival romano dos mortos) para 1º de novembro, data do Samhain.

Não sabe – nem nunca saberemos – se a verdadeira intenção era de “cristianizar” a data. O que importa é que hoje ambas estão unidas.

Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a “Grande Fome”, 1 milhão de pessoas foram forçadas a imigrar para os Estados Unidos, levando junto sua história e tradições.

Hoje, o Halloween é o maior feriado não cristão dos Estados Unidos.

Em 2010, superou tanto o Dia dos Namorados quanto a Páscoa como a data em que mais se vende chocolates.

Ao longo dos anos, foi “exportado” para outros países, entre eles o Brasil.

Grande parte da tradição de Halloween no Brasil é influenciada por cursos de idioma que promovem a data como forma de inserir os alunos na cultura dos países de língua inglesa e também por festas a fantasia, decoração em bares, lanchonetes e outros estabelecimentos que adotam a temática de monstros, vampiros, bruxas, etc.

Mas, como estamos no Brasil, senta que lá vem estória…

Para ‘enaltecer e resgatar’ o folclore nacional, num contraponto pacífico, foi instituído POR LEI, o “Dia do Saci” que acontece no mesmo dia, 31 de outubro.

(sic)… O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo deputado federal Chico Alencar, (PSOL – RJ) e pela vereadora de São José dos Campos Ângela Guadagnin (PT – SP) (aquela da dancinha na Câmara dos Deputados – grifos meus), com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas”, ou Halloween, de tradição cultural celta. Propõe-se seja celebrado em 31 de outubro.

Anteriormente, leis semelhantes foram aprovadas pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo. O Estado de São Paulo oficializou a data com a Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004. Outros dez municípios paulistas, além da capital, já haviam feito o mesmo: São Luiz do Paraitinga (onde a festa dedicada ao saci dura quase duas semanas), São José do Rio Preto, Guaratinguetá e Embu das Artes. Em municípios de outros Estados brasileiros, o Dia do Saci foi oficializado: em Vitória (Espírito Santo); Poços de Caldas e Uberaba (Minas Gerais); Fortaleza e Independência (Ceará)…(sic).

A pergunta que não quer calar é: porque existe então o Dia do Folclore, 22 de agosto, onde deveriam ser lembrados personagens e estórias do próprio Saci-Pererê, do Boitatá, da Mula-sem-cabeça, do Curupira, do Boto?

Você, que me lê neste momento, viu ou participou de alguma comemoração neste dia?

As duas datas têm o mesmo destaque, lembrança e divulgação? Política, politicalha, politicagem.

Ah, Rálôin, Rálôin… o que fizeram com você?

Aqueles sim, eram tempos sagrados!

Havia o reconhecimento dos frutos obtidos através do trabalho de cada uma das pessoas da aldeia, do povoado, da cidade. Havia uma comemoração e todos tinham pleno conhecimento do que faziam e porquê o faziam.

Eram tempos de gratidão.

Ano de 2018. Internet. Rapidez, Palavras entrecortadas. Cumprimentos e frases resumidos a ícones e emoticons.

As pessoas lutam, se esforçam para atingir objetivos pessoais ou coletivos e, assim que estes são conquistados, um simples “obrigado” é dirigido aos Céus (quando ocorre) e passa-se à próxima fase do jogo da Vida.

Não se comemora nada com o coração. Com a alma aberta. Com a mente calma.

Deixamos de lado a comemoração e esquecemos ser gratos aqueles que estão ao nosso lado e, principalmente, aos que partiram e desbravaram os caminhos que hoje trilhamos.

De minha parte, e de coração, te desejo um Feliz Rálôin!

 

Artigo escrito pelo colaborador Walter Barreto

Tarciso Morais

Tarciso Morais

Fundador e editor-chefe da RENOVA Mídia

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